"Hay hombres que luchan un dia y son buenos
Hay otros que luchan um año y son mejores
Hay quienes luchan muchos años y son muy buenos
Pero hay los que luchan toda la vida
Esos son los imprescindibles"
(Bertolt Brecht)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Difundir e defender a tradição?

Por Runildo Pinto



Os preconceitos arraigados à “cultura gaúcha”, essa vã representação, usa de opiniões paradoxais carregadas de ambigüidades, para disfarçar poder e interesses, através da fabricada e intransigente doutrina do tradicionalismo gaúcho.


O MTG* é “o maior movimento (des)cultural regional do mundo”, pois renega a cultura guarani como fonte de identidade do povo rio-grandense (de onde vem o mate, o churrasco e criação de gado, etc...), despreza as características multiétnicas da cultura e impõe comportamentos e condutas. Proclama sua origem identitária na cultura portuguesa (cantigas como o Pezinho, o Balaio) e na revolta farroupilha, um movimento anti-popular, escravista e nada republicano. O tradicionalismo além de aliciar a cultura para os interesses do latifúndio (estrutura do CTG*: patrão/capataz/peão/prenda), tem a pratica perversa em seus argumentos, do uso de evasivas, rodeios e subterfúgios para justificar o preconceito, a arrogância, o prepotência peculiar do estado de espírito do estancieiro-latifundiário. Exemplos do “jeito de ser do gaúcho”, dos “costumes gaúchos”, está contido em expressões como, “excessos de maneirismos” que na verdade é um disfarce do conteúdo reacionário colocado na retórica tradicionalista.


As Danças Tradicionais e os Peões "Delicados", do Sr. Ademir Canabarro que se intitula missioneiro, só porque nasceu em Santo Ângelo não lhe autoriza ao título. Ser um verdadeiro Missioneiro requer a convicção cultural encarnada, um condutor da dignidade histórica da Republica Guaranítica, mas a renega, ignora o legado da Missões, dos Sete Povos. Canabarro assume, no artigo, o fundamentalismo do tradicionalismo gaúcho, que atribui suas origens no império Português com a conivência farrapa dos estancieiros, que também contribuíram antes, no aniquilarmento da Nação Guarani. Está e a verdadeira face do Sr. Canabarro. Sua argumentação é constritiva que cabe apenas em um raciocínio chulo, e o faz cego e obediente à doutrina tradicionalista do MTG. Não percebe a dimensão da natureza humana, distinta do animal irracional (cavalo, gato cachorro, macaco etc..), o único animal que pensa e elabora a vida nas suas contradições sociais, portanto, são os seres humanos que criam e projetam diferentes formas de convivência.


A cultura do gaúcho -da tradição, não tem sustentação histórica para instituir identidade e não justifica a “superioridade gaúcha”, pois sua tradição é uma invenção, o gaúcho é um simulacro, um fantasma que introduz o poder conservador no imaginário popular, um espectro. O “Gaúcho”, nem mesmo tem lugar no CTG, lá é aceito apenas os submissos, aqueles que devem obediência ao patrão, ao latifundiário, como o capataz, o peão e o posteiro. A aversão a outras culturas, é porque compromete a harmonia, a unidade dos interesses das elites gaúchas no seio do povo, pois estas contém em seu âmago uma história comprometedora, que não pode ser revelada. E não pode servir de modelo a toda Terra.


MTG: Movimento Tradicionalista Gaúcho

CTG: Centro de Tradições Gaúchas

2 comentários:

Marcos disse...

Prezado,

Primeiro, gostaria de parabenizar-lhe pela entrevista com o prof. Golin. Concordo perfeitamente com a análise de que qualquer projeto democrático passa por combater o gauchismo e o MTG no RS...
Gostaria de receber o manifesto, referido na entrevista, contra a política cultural implementada pelo MTG. Ou ainda, como faço para consegui-lo?
um abraço

RS INSURGENTE disse...

Prezado Sr. Marcos!
Obrigado pelo comentário e cabe sublinhar que o veio da identidade rio-grandense está na República Guranitica.
O Manifesto esta no blog, com instruções de como assiná-lo.
Abraço fraterno
Raoul