"Hay hombres que luchan un dia y son buenos
Hay otros que luchan um año y son mejores
Hay quienes luchan muchos años y son muy buenos
Pero hay los que luchan toda la vida
Esos son los imprescindibles"
(Bertolt Brecht)

terça-feira, 24 de março de 2009

FECHAMENTO DAS ESCOLAS DO MST


Texto: Amália C. Leites


O Governo Yeda, junto com o Ministério Público, cancelou os convênios com o MST que mantinha escolas itinerantes em acampamentos de Sem-Terra, fechando desta forma as escolas, que funcionavam há 13 anos no estado. O MP argumenta que estas escolas não eram fiscalizadas pelo MEC, que seu currículo não estava de acordo e blábláblá. A questão aqui, além de mais um passo rumo à criminalização do MST, é o que afinal, é educação de “valor”, de “qualidade”. Porque o ensino dentro dos acampamentos, que realmente não passa por concursos públicos, mas ao invés disso, é feito por membros do movimento, é considerado pior que o que das escolas públicas em geral? Talvez porque as matérias não sejam as mesmas (nem estudadas do mesmo ângulo) que as matérias do currículo tradicional, mas nesse ponto é interessante analisar como está nosso ensino público e para onde ele está caminhando.

O que temos hoje em dia é uma evasão escolar que é relevante já nos primeiros anos da educação básica e que se torna extremamente preocupante nos anos finais (antes do vestibular). Os alunos precisam trabalhar, senão não comem. No meio disso está a escola. Sem muitas opções, eles acabam abandonando-a, em algum ponto entre o 1º ano do fundamental e o 3º do médio. Há grandes chances de que formarão a imensa massa de desempregados ou sub-empregados do nosso país. Aqueles que conseguem permanecer na escola encontram instituições sucateadas e professores frustrados pela baixa valorização e reconhecimento da sua profissão, de seu esforço diário. Como ninguém vive no País das Maravilhas, nada mais esperado que a escola pública brasileira não seja exatamente uma referência internacional em se tratando de qualidade de ensino. Nada mais esperado que estes alunos tenham dificuldade em passar no vestibular das universidades públicas, concorrendo com egressos de escolas particulares e de cursinhos pré-vestibular. Para isso temos as cotas, como tentativa de amenizar o problema. É uma reparação obrigatória, mínima, frente ao abismo social existente no Brasil. Mas ainda não é a solução, porque o buraco está beeeem mais embaixo. Mas isso é assunto pra outra hora, voltemos ao fechamento das escolas do MST.

Sendo a educação um ato político, como bem disse Paulo Freire, e por isso, nunca neutro, cabe questionar que tipo de cidadãos estamos formando com nosso currículo tradicional, onde a tabela periódica é exigida daqueles que precisam pedir esmola nos supermercados, onde a conjugação de verbos em inglês é ensinada para jovens que sequer compreendem o conceito de “pátria”. Do outro lado, temos iniciativas como o MOVA, em que os adultos são alfabetizados sem uma cartilha pré-concebida, mas sim de acordo com suas realidades. Temos as escolas itinerantes do MST, que buscam desenvolver a consciência crítica e ensinar a ler o mundo do ponto de vista da realidade dos acampados e assentados, que não é de forma alguma o mesmo ponto de vista que nós, frente aos monitores de nossos computadores na cidade, temos.

No fechamento das escolas, nem pais nem alunos foram ouvidos. Será que cabe realmente a nós dizermos que estas escolas são insatisfatórias e que não servem para educar estas crianças? O plano curricular das escolas municipais e estaduais é tão excelente, atual e superior em qualidade como cremos?

Fonte: Blog O PLANTADOR.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Retorno da Ilha Revolucionária

Prezados Leitores e Camaradas!

Retornei de Cuba no dia 09/02, cheguei ao Brasil no dia 10/02. Estou em processo de organização do material coletado em "La Isla Revolucionaria" e estarei aos poucos colocando minha impressão sobre aquela sociedade que constrói o Socialismo com sacrifício e muita garra. O bloqueio imposto pelos EUA é de uma crueldade inimaginável. Há problemas vários, mas todas aquelas restrições atribuída a Cuba, em relação as liberdades, não são geradas por lei cubana, mas sim, são as ações do império sobre o povo cubano. As mídias capitalistas divulgam como se fossem restrições institucionalizadas pelo governo Cubano. Há uma vida simples, alegre, solidária e amável entre os cubanos e isto eles também fazem com os estrangeiros. O direto de ir e vir, o livre arbítrio e a unidade do povo é preservada como fonte de manifestação da diversidade dentro de um espírito de união e respeito. A sociedade cubana adora o pluralismo, a diversidade, a abundância de pensamento e da praticidade gerada pelo raciocínio das pessoas, por isto a participação popular garante a revolução que resiste ao império. Suportaram a queda da Urss, que dava um suporte econômico importante e fundamental para a Ilha, hoje, resite ao assédio da globalização e o enrijecimento dos governos norte-americanos, em seu turno bloqueou a contas de Cuba no exterior. Mas Cuba caminha para algumas conquistas, como a auto-suficiência em petróleo e energia.

Indo a Cuba perde-se aquele romantismo infantil. Mas Cuba tem Socialismo, sem dúvida! Viva o Socialismo!

Assim, com o decorrer do tempo, as reflexões sobre a Ilha Revolucionária serão postadas, de acordo com a elaboração e ordenação dos argumentos que possam clarear os conhecimentos adquiridos nessa experiência.

Abraço fraterno

Raoul José Pinto

Viva a Revolução Cubana!
Viva os 50 anos da Revolução em Cuba!
Viva Fidel! Viva Raúl!
Viva a XVI Brigada Sul-Americana de Solidariedade a Cuba!
Até a Vitória! Venceremos!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Passagem à Ilha Revolucionária


Prezados Leitores e Camaradas!


" Socialismo é o nome político do Amor" (Frei Betto)

Domingo, dia 25 de janeiro, estarei embarcando para Cuba. É a primeira viagem que faço para a ilha revolucionária do Caribe e a expectativa é de apreender a dinâmica de uma sociedade estruturada em outras bases, e a partir dela ampliar a avaliação sobre o que acontece no mundo hoje, qual a perspectiva da Revolução Cubana e quais os caminhos que devemos começar a trilhar para a revolução em outros países. Clarear a situação vivida pela esquerda no mundo, pois a realidade se diversifica e muitas vezes, a esquerda, se exclui da luta refugiando-se em velhos dogmas, ou se ajusta a institucionalidade capitalista, ou ainda, não enxerga sua dinâmica.


Novas e ricas experiências têm surgido no mundo, como o Exercito Zapatista de Libertação Nacional - EZLN, no México; na Venezuela, com Chávez; na Bolívia, com Evo Morales; no Equador, com Rafael Correa. Experiência como a da Bolívia é hoje, a meu ver, o laboratório da luta revolucionária no mundo pela sua diversidade em relação a sua sociabilidade coletiva. A dificuldade do capitalismo em ser hegemônico naquele país, resgata sua identidade e não nega os avanços da tecnologia,. É uma sociedade que quer combinar a tecnologia e a produtividade pelo usufruto coletivo. Não pela relação de troca, mas pela necessidade da sociedade de preservar a cultura e o meio ambiente, construindo uma sociedade que se despe do egoísmo e da alienação; desenvolvendo a magnífica capacidade criadora do ser humano.


Cuba é o coração vivo da Revolução permanente. Resistiu às vicissitudes que advieram pelo fim do bloco do socialismo real no leste europeu. Continua resistindo ao bloqueio e aos ataques terroristas do império norte-americano. Essa perícia, dignidade e rebeldia fazem de Cuba uma nação em luta continua para manter os ideais revolucionários e avançar em suas conquistas diante do mundo. Cuba é o exemplo de soberania, convicção e tem autoestima que lhe garantem o morla alto para continuar no caminho escolhido. Sabe que, embora as dificuldades, conseguirá triunfar diante de todas as ameaças e ações destrutivas dos capitalistas. Enxergamos a sociedade cubana como aquela que se empenha, dia-a-dia, por justiça social. Dentro dessa postura extrapola suas divisas pelo seu internacionalismo, e pela sua solidariedade para com outros povos.


Neste momento, estou despedindo-me de todos vocês e, dentro do tempo disponível, estarei atualizando o blog diretamente de Cuba. Ao mesmo tempo, estarei escrevendo e priorizando um diário sobre as experiências vividas na ilha revolucionária.


E, para finalizar, expresso a honra que sinto em participar da XVI BRIGADA SUL-AMERICANA DE SOLIDARIEDADE A CUBA – ANO 50 DA REVOLUÇÃO-, na qual o trabalho voluntário como dizia o Cmte. Che Guevara é uma atitude genuína dos comunistas. Entrego-me, com fervor e alegria, nesta missão. Deixo claro que não medirei esforços na realização deste intento.


Dedico esta "Passagem à Ilha Revolucionária" a minha mulher Maristela, aos 25 anos do MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra do Brasil, aos Camaradas José Ernesto Grisa, João Pedro Fernandes e, em especial, ao Cmte. Fidel Castro Ruz.


Abraço-lhes com toda fraternidade revolucionária,


Brigadista Raoul José Pinto


Viva a Revolução Cubana!

Viva a Revolução Mundial!

Viva todos os Brigadistas!

Pátria ou Morte!

Até a Vitória!

Venceremos!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Instrumento voador da Desgovernadora Yeda Crusius do RS


Desculpem-me, prezados leitores, mas não dá para levar este governo a sério.


"Deputados da situação, defendendo a proposta da governadora para comprar um instrumento voador, no parlamento".

Percebam a linguagem dos parlamentares ligados a governadora Yeda Crusius. Este é o idioma que ela fala com o povo gaúcho.

Vejam o vídeo:

Voa passarinho, voa! Voa passarinho, voa!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

RS Insurgente: o bom exemplo vem de Cuba

"As revoluções só avançam e perduram quando o povo é protagonista"



por Raúl Castro Ruz [*]

Santiagueiras e santiagueiros;

Orientais;

Combatentes do Exército Rebelde, da luta clandestina e de cada combate em defesa da Revolução durante estes 50 anos;

Compatriotas:

O primeiro pensamento, num dia como hoje, será para os que tombaram nesta longa luta. Eles são paradigma e símbolo do esforço e do sacrifício de milhões de cubanos. Estreitamente unidos, empunhando as poderosas armas que significam a direção, os ensinamentos e o exemplo de Fidel, aprendemos no rigor da luta a converter sonhos em realidades; a não perdermos a calma e a confiança diante dos perigos e das ameaças; aprendemos a cobrar esperança dRaul Castro.epois dos grandes reveses; a converter em vitória cada desafio e a enfrentar as adversidades, por muito inultrapassáveis que pudessem parecer.

Os que tivemos o privilégio de viver com toda intensidade esta etapa de nossa história, sabemos muito bem quão certo foi o alerta que nos fez naquele 8 de janeiro de 1959, em seu primeiro discurso ao entrar na capital:

"A tirania foi derrubada. A alegria é imensa. Contudo, ainda falta muito por fazer. Não nos enganamos acreditando que daqui em diante tudo será fácil; talvez doravante tudo seja mais difícil", concluiu.

Pela primeira vez, o povo cubano alcançava o poder político. Desta vez, junto a Fidel, os mambises (cubanos que lutaram pela independência de Cuba no século 19 contra os espanhóis) conseguiram entrar em Santiago de Cuba. Atrás ficavam 60 anos exatos de dominação absoluta do nascente imperialismo norte-americano, que não tardaria em mostrar seus verdadeiros propósitos, ao impedir a entrada do Exército Libertador nesta cidade.

Também ficaram atrás a grande confusão e, sobretudo, a frustração enorme gerada pela intervenção norte-americana. No entanto, manteve-se em pé, além de sua dissolução formal, a decisão de luta do Exército Mambí e o pensamento que guiou as armas de Céspedes, Agramonte, Gómez, Maceo e tantos outros próceres e combatentes pela independência.

Vivemos algo mais de cinco décadas de governos corruptos, de novas intervenções norte-americanas; a tirania de Gerardo Machado e a revolução frustrada que a derrubou. Mais tarde, em 1952, o golpe de Estado, com o apoio do governo norte-americano, instaurou de novo a ditadura, fórmula aplicada nesses anos para garantir sua dominação na América Latina.

Para nós, ficou claro que a luta armada era a única via. Nós, os revolucionários, como antes acontecera com Martí, ficamos novamente diante do dilema da guerra necessária pela independência, truncada em 1898.

O Exército Rebelde retomou as armas dos mambises e, depois da vitória, se transformou para sempre nas invencíveis Forças Armadas Revolucionárias.

A Geração do Centenário, que em 1953 assaltou os quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes, contou com o importante legado de Martí, com sua visão global humanista, que vai além da consecução da libertação nacional.

Em termos históricos, foi breve o tempo entre a frustração do sonho dos mambises e o triunfo na guerra de libertação. No começo deste período, Mella, um dos fundadores do nosso primeiro partido comunista e criador da Federação Estudantil Universitária (FEU), tornou-se herdeiro legítimo e ponte que liga o pensamento martiano às idéias mais avançadas.

Foram anos de maturidade da consciência e da ação de operários e camponeses, e de formação de um setor intelectual genuíno, valente e patriótico, que os acompanha até hoje.

O magistério cubano, fiel depositário das tradições de luta de seus antecessores, incutiu-as no melhor das novas gerações.

Desde o triunfo, foi evidente para cada homem e mulher humilde que a Revolução era um cataclismo social justiceiro que bateu a todas as portas, desde os palacetes da Quinta Avenida até a mais misérrima e afastada cabana de nossos campos e montanhas.

As leis revolucionárias não só cumpriram o programa do Moncada, mas também satisfizeram outras exigências na lógica evolução do processo. Além disso, estabeleceram um precedente para os povos da nossa América que, há 200 anos, iniciaram o movimento para se emancipar do colonialismo.

Em Cuba, a história americana encaminhou por rumos diferentes. Nada moralmente valioso foi alheio ao turbilhão que, mesmo antes do dia 1º de janeiro de 1959, começou a eliminar opróbrios e iniqüidades, e deu passo ao gigantesco esforço de todo um povo, determinado a dar-se a si próprio quanto merece e conseguiu construir com seu sangue e seu suor.

Milhões de cubanos têm sido trabalhadores, estudantes, soldados, ou simultaneamente, as três coisas, tantas vezes como as circunstâncias assim o exigiram.

A síntese magistral de Nicolás Guillén resumiu o significado da vitória de janeiro de 1959 para o povo: "Tenho o que tinha que ter", diz um de seus versos, referindo-se não a riquezas materiais, mas ao fato de sermos donos de nosso destino.

É uma vitória duas vezes meritória, porque foi alcançada. apesar do ódio doentio e vingativo do poderoso vizinho.

A incitação e o apoio à sabotagem e ao banditismo; a invasão à Baía dos Porcos; o bloqueio e outras agressões econômicas, políticas e diplomáticas; a permanente campanha de mentiras dirigida a denegrir a Revolução e seus líderes; a Crise dos Mísseis, os seqüestros e ataques a embarcações e aviões civis; o terrorismo de Estado, com seu terrível saldo de 3.478 mortos e 2.099 incapacitados; os planos de atentados a Fidel e a outros dirigentes; os assassinatos de operários, camponeses, pescadores, estudantes, diplomatas e combatentes cubanos. Esses e muitos outros crimes são prova do obcecado empenho de apagar, a qualquer preço, a luz de justiça e decoro que significou a alvorada de 1º de janeiro.

Uma após outra, todas as administrações norte-americanas não deixaram de tentar forçar uma mudança de regime em Cuba, por uma ou outra via, com maior ou menor agressividade.

Resistir é a palavra de ordem e a chave de cada uma das nossas vitórias, durante este meio século de luta incansável, em que partimos invariavelmente do fato de pôr em perigo nossa própria pele, sem deixarmos de reconhecer a ampla e decisiva solidariedade recebida.

Há muitos anos, os revolucionários cubanos nos cingimos à máxima martiana: "A liberdade custa muito cara, e é preciso resignar-se a viver sem ela, ou decidir-se a comprá-la a seu preço".

Nesta praça, no 30º aniversário do triunfo, Fidel disse: "Estamos aqui, porque conseguimos resistir". Uma década depois, em 1999, desta mesma sacada, afirmou que o período especial constituía "a mais extraordinária página de glória e firmeza patriótica e revolucionária, (…) quando ficamos absolutamente sozinhos no meio de Ocidente, a 90 milhas [145 km] dos Estados Unidos e resolvemos continuar adiante". Fim da citação. Hoje, repetimo-lo assim.

Tem sido uma resistência firme, sem fanatismos, baseada em sólidas convicções e na decisão de todo um povo de defendê-las ao preço que for necessário. Prova disso, neste momento, é a firmeza de nossos gloriosos Cinco Heróis (Aplausos e exclamações de: "Viva!").

Hoje não estamos sozinhos diante do império neste lado do oceano, como aconteceu nos anos sessenta, quando os Estados Unidos, em janeiro de 1962, impuseram o absurdo de expulsar Cuba da OEA, o país que pouco antes fora vítima de uma invasão organizada pelo governo norte-americano e escoltada até nossas costas por seus navios de guerra. Precisamente, como foi demonstrado, essa expulsão era o prelúdio de uma intervenção militar direta, impedida apenas pela instalação dos mísseis nucleares soviéticos, que resultou na Crise de Outubro, conhecida mundialmente como a Crise dos Mísseis.

Hoje a Revolução é mais forte do que nunca e jamais cedeu um milímetro só em seus princípios, nem nos momentos mais difíceis. Não muda minimamente essa verdade o fato de que alguns poucos se cansam e até renegam de sua história, esquecendo-se de que a vida é um eterno batalhar.

Será que isso significa que diminuíram os perigos? Não, não caiamos em ilusões. Agora, que comemoramos este meio século de vitórias, impõe-se a reflexão sobre o futuro, sobre os próximos cinqüenta anos, que serão também de luta permanente.

Observando as atuais turbulências do mundo contemporâneo, não podemos pensar que serão mais fáceis, digo-o não para apavorar alguém, é a pura realidade.

Também devemos levar bem em conta o que Fidel disse a todos nós, mas especialmente aos jovens, na Universidade de Havana, em 17 de novembro de 2005: "Este país pode se autodestruir; esta Revolução pode ser destruída, mas hoje são eles os que não podem destruí-la; nós sim, nós podemos destruí-la, e seria culpa nossa", sentenciou.

Diante dessa possibilidade, pergunto-me: qual é a garantia de que não aconteça algo tão terrível para nosso povo?

Como evitar um golpe tão aniquilador em que precisaríamos de muito tempo para nos recuperarmos e alcançarmos de novo a vitória?

Falo em nome de todos os que lutamos, desde os primeiros disparos nos muros do Moncada, há 55 anos, até dos que cumpriram heróicas missões internacionalistas.

Falo também, é claro, em nome dos que morreram nas guerras de independência e, mais recentemente, na guerra de libertação. Representando todos eles, falo em nome de Abel e de José Antonio, de Camilo e do Che, quando afirmo, em primeiro lugar, que isso exige dos dirigentes do amanhã nunca esquecerem que esta é a Revolução dos humildes, pelos humildes e para os humildes (Aplausos); que não embrandeçam com os cantos de sereia do inimigo e tenham consciência de que, por sua essência, nunca deixará de ser agressivo, dominante e traiçoeiro; que jamais se afastem dos nossos operários, dos nossos camponeses e do resto do povo; que os militantes impeçam que o Partido seja destruído. Aprendamos com a história.

Se agirem assim, sempre contarão com o apoio do povo, inclusive, quando se enganarem em questões que não violem princípios essenciais. Porém, se seus atos não forem conformes essa conduta, nem sequer contarão com a força necessária nem a oportunidade para retificar, visto que carecerão da autoridade moral que só outorgam as massas àqueles que não cedem na luta. Poderiam terminar sendo fracos diante dos perigos externos e internos, e incapazes de preservarem a obra, fruto do sangue e do sacrifício de muitas gerações de cubanos.

Se isso chegasse a acontecer, ninguém duvide disso, nosso povo saberá lutar, e na primeira linha estarão os mambises de hoje, que não se desarmarão ideologicamente nem deixarão cair a espada (Aplausos e exclamações).

Cabe à direção histórica da Revolução preparar as novas gerações para assumirem a enorme responsabilidade de continuar o processo revolucionário.

Esta heróica cidade de Santiago, e Cuba toda, foi testemunha do sacrifício de milhares de compatriotas; da raiva acumulada perante tanta vida truncada pelo crime; da dor infinita das nossas mães e do valor sublime de suas filhas e seus filhos.

Cá nasceu um jovem revolucionário, que apenas tinha 22 anos quando foi assassinado, que simboliza essa disposição para o sacrifício, pureza, valentia, serenidade e amor à pátria de nosso povo: Frank País García.

Nesta terra do oriente do país nasceu a Revolução. Aqui foi a clarinada de La Demajagua e de 26 de julho; aqui desembarcamos no Granma e iniciamos o combate em montanhas e planícies, estendido depois a toda a Ilha. Como disse Fidel em A História me Absolverá, aqui, "a cada dia, parece que haverá novamente o de Yara ou o de Baire".

Nunca mais voltarão a nossa terra a miséria, a ignomínia, o abuso e a injustiça!

Jamais voltará a dor ao coração das mães nem a vergonha a alma de cada cubano honesto!

É a firme decisão de uma nação em pé de luta, ciente de seu dever e orgulhosa de sua história (Aplausos).

Nosso povo sabe cada imperfeição da obra que ele próprio constrói com seus braços e defende pondo sua vida em risco. Os revolucionários somos nossos principais críticos. Não hesitamos em elucidar publicamente deficiências e erros. Sobram os exemplos passados e recentes.

Desde 10 de outubro de 1868, a desunião foi a causa fundamental de nossas derrotas. A partir de 1º de janeiro de 1959, a unidade, forjada por Fidel, é garantia de nossas vitórias. Nosso povo conseguiu mantê-la diante de todas as adversidades e tentativas separatistas e soube colocar os anseios comuns por cima das diferenças, derrotar mesquinhezes, à força de coletivismo e generosidade.

As revoluções só avançam e perduram quando o povo é protagonista. O fato de ter compreendido essa verdade e agido invariavelmente em conseqüência com ela, foi fator decisivo da vitória da Revolução cubana face a inimigos, dificuldades e desafios aparentemente invencíveis.

Neste primeiro meio século de Revolução vitoriosa, nosso principal tributo a nosso maravilhoso povo; a sua exemplar decisão, valor, fidelidade, vocação solidária e internacionalista; a sua extraordinária demonstração de vontade, espírito de sacrifício e confiança na vitória, no Partido, em seu máximo líder e, sobretudo, em si próprio (Aplausos).

Sei que expresso o sentir dos meus compatriotas e de muitos revolucionários no mundo, ao prestar homenagem nesta hora ao líder da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz (Aplausos e exclamações).

Um indivíduo só não faz a história; sabemos disso, mas existem homens imprescindíveis capazes de influírem decisivamente em seu curso. Fidel é um deles, ninguém duvida, nem mesmo seus inimigos mais acérrimos.

Desde muito jovem, tornou seu um pensamento de Martí: "Toda a glória do mundo cabe num grão de milho". Converteu-o em escudo contra o fátuo e o passageiro, sua principal arma para transformar lisonjas e honras, por merecidas que forem, em maior modéstia, honradez, decisão de luta e amor pela verdade, que invariavelmente ele colocou acima de tudo.

A essas idéias se referiu, nesta mesma praça, há 50 anos. Suas palavras daquela noite têm uma vigência absoluta.

Neste momento especial, que nos faz meditar o caminho percorrido e, sobretudo, o ainda mais longo que temos perante nós, quando ratificamos de novo o compromisso com o povo e nossos mártires, permitam-me concluir repetindo o alerta premonitório e o apelo ao combate que nos fez o Fidel neste histórico lugar, em 1º de janeiro de 1959, quando sublinhou:

"Não julgamos que todos os problemas irão ser facilmente resolvidos, sabemos que o caminho está cheio de obstáculos, mas somos homens de fé, que sempre enfrentamos as grandes dificuldades. O povo pode ter certeza de uma coisa: 'talvez possamos nos enganar uma ou muitas vezes, mas jamais poderá dizer que nós roubamos, que traímos".

E acrescentou:

"Nunca nos deixaremos arrastar pela vaidade nem pela ambição, (…) não há satisfação nem prêmio maior do que cumprir o dever", concluiu.

Numa data de tanto significado e simbolismo, meditemos estas idéias que constituem um guia para o revolucionário verdadeiro. Façamo-lo com a satisfação do dever cumprido até hoje; com o aval de ter vivido com dignidade o mais intenso e fecundo meio século de história-pátria e com o firme compromisso de que nesta terra sempre poderemos exclamar com orgulho:

Glória aos nossos heróis e mártires! (Exclamações de: "Glória!")

Viva Fidel! (Exclamações de: "Viva!")

Viva a Revolução! (Exclamações de: "Viva!")

Viva Cuba livre! (Exclamações de: "Viva!")

(Ovação).

[*] Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros da República de Cuba, general-de-exército. Discurso proferido no ato pelo 50º aniversário do triunfo da Revolução realizado em Santiago de Cuba, em 1º de janeiro de 2009, "Ano do 50º aniversário do triunfo da Revolução".

O original encontra-se em http://www.granma.cu/espanol/2009/enero/juev1/jamas.html e a versão em português em http://www.granma.cu/portugues/2009/enero/lun5/2discursoP.html

Este discurso encontra-se em http://resistir.info/ .