"Hay hombres que luchan un dia y son buenos
Hay otros que luchan um año y son mejores
Hay quienes luchan muchos años y son muy buenos
Pero hay los que luchan toda la vida
Esos son los imprescindibles"
(Bertolt Brecht)

sábado, 18 de julho de 2009

Carta do Movimento pela Abertura dos arquivos para Yeda Crusius


Exma. Sra. Governadora do Estado do Rio Grande do Sul,

Yeda Crusius

A sua manifestação, ontem, dia 16 de julho de 2009, pela manhã, escrita em cartaz dizendo que aquelas pessoas que ali estavam não eram professores, mas "torturadores", atinge não somente aqueles professores, que estão em seu pleno direito de reivindicar melhores salários e condições de trabalho, mas também todos os cidadãos brasileiros, vítimas diretas ou indiretas dos crimes cometidos por torturadores ao longo da história do Brasil. A utilização deste termo é uma prova da total falta de conhecimento histórico da senhora, e mais: um grande desrespeito à memória do país, que recentemente passou por um período de ditadura, não só militar, mas com contribuição de muitos civis, muitos hoje acusados de terem, esses sim, torturado pessoas. Com sua declaração, a senhora ignorou totalmente a carga histórica que o conceito de "torturador" carrega. A senhora já ouviu o depoimento de alguém que tenha sofrido, verdadeiramente, uma tortura? Estas pessoas merecem o nosso respeito, o que não observamos na sua atitude.

Isso corrobora para o que estamos chamando atenção há tempos: a utilização inadequeada de adjetivos, sem conhecer seu teor histórico, sem valor explicativo, e usado de forma pejorativa e impune. Isso acontece, também, com o conceito de "terrorista", que é utilizado para a luta armada brasileira, mas nunca atribuído às ações do aparato repressivo do Estado - ainda não desmontado, julgado e condenado - e de grupos para-militares, como o CCC, (Comando de Caça aos Comunistas) sigla que ainda hoje circula na sociedade brasileira, e é lembrada como o grande grupo que combatia o comunismo, sem saber de fato o que aquele grupo fez no Brasil.

A sua atitude se assemelha à dos torturadores e repressores, na medida em que, assim como as balas, as palavras ferem, e vêm justamente do lugar que deveria tomar conta de todos os cidadãos, independente de posicionamento político: o Estado. A senhora comparou uma classe trabalhadora, que exercia um direito que fora suprimido por mais de 20 anos, àqueles responsáveis pela supressão do mesmo. Comparou-os a pessoas que cometeram crimes, e que estão por aí, impunes. Isto, senhora governadora, é considerado calúnia, segundo as leis do Estado que a senhora representa.

A senhora sentiu-se intimidada pela manifestação que impediu o direito de ir e vir de seus netos. A senhora sabe que durante os anos 1960, 1970 e 1980, vigoraram no Cone Sul ditaduras civil-militares que sequestraram, torturaram, desapareceram, mataram e apropriaram-se de crianças? Na Argentina, por exemplo, há mais de 500 crianças desaparecidas. Apenas 91 tiveram sua identidade restituída. A senhora sabe como isto foi feito? Através de lutas, confrontos, manifestações, como esta, que se realizava em frente a sua residência.

Seus netos, senhora governadora, provalvemente não saibam o estado em que se encontra a educação pública no Rio Grande do Sul, pois devem frequentar os melhores e mais caros colégios em Porto Alegre. Seus netos não devem fazer idéia do que seja passar trimestres, às vezes anos, sem uma disciplina, por falta de professor; ou estudarem em turmas com 50 alunos, por causa do enturmamento promovido pela senhora; ou enfrentarem as condições precárias em que se encontram muitas escolas; ou não possuírem uma boa educação por falta de recursos; ou encontrarem professores desmotivados pela miséria que é paga todos os meses. Estes sim, são torturados.

Senhora governadora, por todos esses motivos expostos nós, do Movimento Pela Abertura dos Arquivos da Ditadura, escrevemos esta carta com o objetivo de solicitar uma retratação pública da senhora, em frente às câmeras de televisão, para com todos os cidadãos brasileiros, que de uma forma ou de outra, sabem exatamente o que signifca o termo "torturado". Pedimos que a senhora tome essa atitude, em nome de todas as verdadeiras vítimas de crimes de tortura cometidos no Brasil, seja durante a ditadura civil-militar, seja ainda hoje em dia, pelo Estado.

Esta carta seguirá com cópia para órgãos de imprensa e endereços eletrônicos que quiserem publicá-la.

Assinado: MOVIMENTO PELA ABERTURA DOS ARQUIVOS DA DITADURA-RS

Porto Alegre, 17 de julho de 2009

sábado, 20 de junho de 2009

Carta de pedido de solidariedade à Educação Pública

<--Casa da Desgovernadora Yeda Crusius


Nota do Editor: Recebi esta carta no dia de hoje, 20 de junho e a faço publicar. Dada a necessidade de combater o poder público que negligencia diante do direito inalienável da população em ter educação de qualidade, enquanto isto os grandes privilegiados do dinheiro público são os empresários.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009



Nós somos professores da Escola Estadual de Ensino Fundamental Porto Alegre, localizada em Porto Alegre, Morro Santana, que atendemos 800 alunos – em sua grande maioria carentes – de educação infantil à oitava série do ensino fundamental, resolvemos abrir nosso coração e dividir com vocês o que muito tem nos incomodado com relação aos (des) caminhos da Educação do RS.

Através desse documento, gostaríamos de tornar público nossos sentimentos em relação às mudanças que estão sendo veiculadas sobre nosso Plano de Carreira. Essas mudanças, do nosso ponto de vista, não visam à melhoria da Educação Pública do RS, e sim, têm o objetivo de transformar a escola em uma empresa. O objetivo de uma empresa é gerar lucros. O objetivo de uma escola pública é gerar cidadãos conscientes, capazes de interferir em suas realidades para transformar o mundo em um local mais fraterno, justo e humano. Isso não pode ser medido com números e índices de pesquisas.

Queremos manifestar nossa indignação não apenas com nossos baixos salários, fato que é bastante conhecido do público em geral. Estamos indignados com a falta de respeito com que somos tratados por este governo, representado pela Secretária de Educação do RS e os cargos de confiança por ela escolhidos. Em reuniões, jornais, televisão, rádio, eventos, etc, somos achincalhados, humilhados, chamados de acomodados, de preguiçosos, de estagnados, somos mostrados como “um peso” no orçamento estadual, nossas aulas são chamadas de “medíocres”, nossa formação é colocada como insuficiente. Em entrevista para a imprensa, a secretária declarou que “merecemos apanhar dos alunos” simplesmente pelo fato de reclamarmos nossos direitos cada vez que sentimos que eles estão sendo atacados e por sermos uma categoria organizada. Há anos
lutamos pela Educação, é graças ao nosso esforço – e somente a ele – que o Rio Grande do Sul ainda tem os melhores índices de Educação do país.

Enquanto o governo corta investimentos em educação, descumprindo a lei de aplicar 35% do orçamento do Estado em Educação Pública, nós continuamos acreditando no aluno e trabalhando.

Nossa escola mantém projetos como: “Navegar é preciso, nas ondas da Língua Portuguesa”, um projeto interdisciplinar sobre a Reforma Ortográfica. Desde 2000 realizamos a semana da Consciência Negra, sendo agora ampliada para todo o último trimestre. Há anos mantemos o projeto “Idade Média na História, na Literatura e no cinema”, e “Mitos e Heróis Gregos”. Este ano, estamos organizando o projeto “Educando para a Cidadania”, envolvendo os professores de Ensino Religioso.


Temos diversos projetos na Educação Infantil e anos iniciais. Fotos e os projetos na íntegra estão em nosso blog (http://escolaportoalegre.blogspot.com).

Sempre mantivemos reuniões pedagógicas, atendimento aos pais, gincanas culturais e esportivas, passeios culturais e de lazer, palestras e oficinas para a comunidade, entre outras atividades. Investimos na apresentação e auto-estima dos alunos, promovendo recolhimento de roupas e calçados, livros paradidáticos, material escolar. Fazemos questão de fazer formatura com os alunos da Educação Infantil e da oitava série, celebrando-a como um momento único e um rito de passagem fundamental em nossa escola. Com todo esse trabalho e investimento pessoal do corpo docente, percebemos a mudança de postura de nossos alunos e o seu crescimento como pessoa e cidadão.

Não gostaríamos de perder todas essas conquistas históricas e as vitórias que já alcançamos com nossa comunidade. Em nossa escola, temos uma marca muito forte de profissionalismo, compromisso, buscamos formação permanentemente, levamos a sério nossas reuniões e projetos, vemos nosso papel como central na comunidade onde estamos inseridos.


Porém, ultimamente, esse sentimento vem mudando...Nosso dia-a-dia tem sido tomado por colegas desestimulados, entristecidos, precarizados, buscando advogados para garantir seus direitos mínimos. Nunca ouvimos tanto a palavra “exoneração”, “cansaço”, “doença”, “dores”. Há colegas buscando ânimo até em medicamentos, travando uma luta pessoal contra o próprio desânimo e baixa auto-estima.

Pedimos sua ajuda para que esta situação não se torne ainda mais grave. Queremos ser ouvidos e respeitados, pois a grande maioria passou pela escola pública como educandos ou como educadores.


Pedimos que divulguem esse documento, repassem, dêem sugestões, nos ajudando a encontrar saídas, lutando ao nosso lado.


Entrem em contato conosco pelo e-mail: escolapoa.sos@gmail.com



Endereço da Escola: Rua João Dallegrave, número 130 – Morro Santana, Porto Alegre, RS. CEP: 91270-160. fone/fax: 3387-7988



ASSINADO: Professores da Escola de Ensino Fundamental Porto Alegre





FONTE: http://www.avozdomorro.com/

domingo, 7 de junho de 2009

Desabou palanque de Serra no Rio Grande Bye-bye Serra 2010

5/junho/2009 15:33


Essa e' a "base de apolo" no Rio Grande do Sul do Eterno Candidato a Presidente

Essa é a base de apoio no RS do Eterno Candidato a Presidente

O Conversa reproduz artigo do Brasil de Fato:
Yeda tem a pior avaliação entre os governadores, 70% defendem impeachment
por Michelle Amaral da Silva última modificação 04/06/2009 15:27

51% dos gaúchos considera a administração ruim ou péssima; servidores públicos realizam vigília para pressionar por CPI

04/06/2009
Da redação,

A gestão da governadora Yeda Crusius (PSDB) no Rio Grande do Sul foi considerada ruim ou péssima por 51% por cento da população de acordo com uma pesquisa do Datafolha divulgada quarta-feira (dia 3). Em março, na última avaliação do Instituto, esse índice era de 49%.

Segundo a pesquisa, 57% por cento dos gaúchos disseram acreditar em corrupção no governo estadual e 70% defendem o impeachment de Yeda. Já o percentural de pessoas favoráveis à abertura de uma CPI para apurar se a governadora está envolvida nos casos de corrupção é ainda maior, 88%.

Yeda obtém, assim, o índice de reprovação mais alto já registrado por um governador desde que o Datafolha iniciou seus trabalhos. Até então, o recordista era o ex-governador de Santa Catarina, Paulo Afonso (PMDB), com 48% de ruim e péssimo, em dezembro de 1998.

Vigília

Nesta semana, servidores públicos gaúchos realizam uma vigília na Praça da Matriz em Porto Alegre para pressionar a Assembleia Legislativa pela instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção, que investigaria as denúncias de irregularidades do governo Yeda.

Os trabalhadores colocaram, em frente ao prédio da Assembleia, cartazes dos 16 deputados que já assinaram o requerimento da CPI e realizaram visitas aos deputados que ainda declaram estar em dúvida a respeito da necessidade de investigações. Ainda faltam três assinaturas. A aposta dos servidores é na bancada do PDT, que ainda tem três deputados que não assinaram o requerimento.

A vigília também foi marcada pela truculência dos seguranças da Assembleia Legislativa, que tentaram impedir o protesto. De acordo com os trabalhadores, os seguranças arrancaram e rasgaram os cartazes e as faixas pendurados nas grades da esplanada, que fica do lado externo do prédio.

http://www.paulohen riqueamorim. com.br/?p= 11824

terça-feira, 26 de maio de 2009

EM HOMENAGEM A BAADER MEINHOF


Estamos postando o artigo, "Em homenagem a Baader Meinhof", publicado no blog PONTO DE VISTA, a reprodução da rebeldia desse coração vivo e subversivo levantando a voz acima da intransigência reacionária da oligarquia guasca e um grito de liberdade transcende ao tempo e ao espaço que é proprietário de uma elite velhaca que se estende por todo o território guasca. A destreza de nossa mobilidade ainda é tímida, mas homens como o professor Ungaretti que com sua analise e prática política explicita sincera e transformadora motivação, perturba essa elite hipócrita que no seu seio verte a arrogância e a vaidade, mais perversa e ordinária. Levantamos aqui o grito de coragem do Comandante Insurgente Sepé Tiaraju, um grito de convocação a dar inicio a um processo de esclarecimento efetivo e de ação enérgica contra essa burguesia medíocre deste Estado, que mantém intransigentemente uma louca desvairada no governo do Estado, a infeliz e ambiciosa Yeda Crusius, como símbolo maior da decadente personalidade de poder do Rio Grande do Sul. Levantemos a Bandeira legitima do legado do Comandante Sepé Tiarajú e comecemos a desmontar as mentiras e a tirar o cabresto da mente dos rio-grandinos, para fazer florescer a verdadeira cultura e vocação deste povo multiétnico, para que todo o povo possa viver nas condições de solidariedade e de uma cultura popular autêntica, transgredindo a cada instante o atraso desta burguesia guasca..

Viva o Comandante Insurgente Sepé Tiaraju
Vivamos sem mentiras e sem egoísmos

Um Viva a todas as Maria Teresa

Pelo fim do Latifúndio

Viva o MST, Reforma agrária já

Pelo fim da hegemonia do Partido da RBS
Abaixo o M
TG e seus CTG's
Abaixo o Tradicion
alismo
E Fora Yeda Crusius e Feijó


------------------------------------------------------------Assim, EM HOMENAGEM A BAADER MEINHOF

“… deslocar-nos quando ele não nos espera.” Sun Tzu

Realizamos esta postagem de hoje, antecipando em um dia a data anunciada por nós para a retomada das atividades, após uma semana de silêncio. A partir de amanhã manteremos nossa atitude de protesto. Mais uma semana de silêncio. Estamos sujeitos a uma multa de 150 reais diários em decorrência de qualquer comentário ou análise de materiais publicados por Zerolândia. Diante desta ação de força só nos resta esta atitude. A medida, do pontodevista concreto, seleciona o que podemos ou não analisar. Estamos autorizados (!!!??????) a comentar, apenas, as perfumarias. Ou a não comentar tais perfumarias. A medida nos impede do exercício da crítica. Trata-se de um ato de censura. E diante deste estamos imobilizados.
A ação movida contra nós é patrocinada pelo PRBS (Partido Rede Brasil Sul de Comunicações), tendo em vista que é assumida por um funcionário de carreira com quase 40 anos de casa. Este é um fato. O resto é blábláblá na fabricação de mentiras. Não tínhamos noção - precisa - do o quanto nossas críticas incomodavam. Nossa inferioridade diante do gigantismo do Grupo é imensa. Temos, nesse momento, apenas força moral; a mais absoluta convicção das críticas realizadas por nós. Alguns possíveis erros de avaliação (ou até exageros) não anulam a honestidade com estas foram realizadas. Em algum momento deverá prevalecer a força da retidão moral. Pouco importa ao final o resultado das ações. O episódio é emblemático. Indicativo do que pode estar sendo articulado. Alguns leitores informam que empresas da mídia corporativa estariam sugerindo que tudo que venha a ser publicado, na Internet, tenha como anexo uma ficha. Dados com número da carteira de identidade, CPF e outras informações.
Solicitamos, na medida do possível que todos, em seus respectivos espaços mantenham viva a informação de que estamos sob censura. E com alguma periodicidade. Esperamos, também, que a nossa situação não venha a se constituir em motivo para a autocensura. Agradecemos, antecipadamente, todas as manifestações de solidariedade. E de carinho.
Mais uma vez estamos sendo empurrados gradativamente, queiram ou não, para a clandestinidade. Estudamos a possibilidade de encerramos esta etapa. Talvez fique como alternativa a produção (clandestina) de textos e fotos para outros blogs e sítios. Sempre estive à disposição de todos os grupos anarquistas.
Nossa postagem anterior foi encerrada com um viva ao Hamas. Uma provocação, sim. Encerramos esta com outra provocação. Desta vez, vivas em memória do grupo Facção Exército Vermelho, conhecido como Grupo Baader Meinhof.
, Palavras e fotos como estiletes, sempre. JORNALISMO é subversão.

CARAS DE NOSSO PAÍS





Maria Teresa é uma emprega doméstica aposentada. Não tem nenhuma foto sua a não ser em documentos. Contou que na noite anterior não tinha se sentido bem.

Zerolândia orienta e comanda a cenografia. Fotos apenas de gente jovem e bonita. Maria Teresa explicou como que o caldinho de um prato de mocotó tem o poder de recuperação.






Prometemos a ela deixar no local copias do material fotográfico. Ela ficou super agradecida, mas durante todo o tempo explicou que não podia pagar. Maria Teresa é CARA de nosso país. Gente assim não aparece na mídia corporativa. Ou aparece como alguma forma de espetáculo. O sorriso dela é bonito. Deve ter cuidado de muita criança branca.
Mais educada, impossível.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Comunidade Autônoma Utopia e Luta


Porto Alegre, Mayo de 2009.

Invitación,

LLegó la hora de compartir el primer paso de la victoria fruto de la autodeterminación popular, Caminando firmes hacia la autogestión autónoma. Después de cuatro años de lucha y sacrificios de las compañeras de nuestra comunidad, es la hora de abrir las puertas para toda la sociedad organizada, de trabajadores y excluídos.

Nuestra meta prioritaria sera la construcion de aportes confiables en la lucha contra la injusticia social, y por un mundo que merezca ser vivido.

Por eso invitamos a compartir este momento del día 22 de mayo de 2009, a las 9h de la mañana, en la Avenida Borges de Medeiros, 727, altos del viaduto Otavio Rocha, en Porto Alegre, cuando se realisara el acto simbolico de entrega territorial a nuestr@s compañer@s de la Comunidad Autónoma Utopia y Lucha.

Hasta la Utopia siempre.

Comunidade Utopia e Luta
http://utopia-e-luta.blogspot.com

Para saber más sobre la Comunidad Autónoma Utopia y Lucha de Porto Alegre:

25jan2005 - Movimento sem-teto ocupa prédio em Porto Alegre (a ocupação)

08fev2008 - Primeiro imóvel do INSS destinado a 42 famílias em Porto Alegre

12fev2008 - Prédio do INSS no RS destinado à moradia

13fev2008 - Reforma do Predio INSS p/ habitação popular (inclui fotos)

09mar2009 - Movimento Sem-teto e o primeiro prédio público autogestionário - PortoAlegre (RS)

10mar2009 - Sem-teto reformam 1º prédio público de moradia social do País (com mais fotos)

09mai2009 – A caminho da Autogestão Popular – Construindo o Poder Popular



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(em português)

Porto Alegre, Maio de 2009.

Convite,

Chegou a hora de compartilhar o primeiro passo da vitória da autodeterminação popular, caminho da autogestão autônoma. Chegou a hora de abrir as portas, a quatro anos de luta sacrificada pelos companheiros de nossa comunidade, a toda sociedade organizada, dos trabalhadores e excluída. Será nosso objetivo prioritário construir aportes sustentáveis na luta contra a injustiça social por um mundo que mereça ser vivido. Por isso convidamos a compartilhar este momento no dia 22 de Maio de 2009 às 15 horas na Avenida Borges de Medeiros, 727, Altos do Viaduto Otávio Rocha, onde será realizado o ato de entrega de chaves aos nossos companheiros e companheiras da Comunidade Autônoma Utopia e Luta.

Até a Utopia Sempre.

Comunidade Utopia e Luta
http://utopia-e-luta.blogspot.com


Para saber mais sobre a Comunidade Autônoma Utopia y Luta de Porto Alegre:

25jan2005 - Movimento sem-teto ocupa prédio em Porto Alegre (a ocupação)

08fev2008 - Primeiro imóvel do INSS destinado a 42 famílias em Porto Alegre

12fev2008 - Prédio do INSS no RS destinado à moradia

13fev2008 - Reforma do Predio INSS p/ habitação popular (inclui fotos)

09mar2009 - Movimento Sem-teto e o primeiro prédio público autogestionário - PortoAlegre (RS)

10mar2009 - Sem-teto reformam 1º prédio público de moradia social do País (com mais fotos)

09mai2009 – A caminho da Autogestão Popular – Construindo o Poder Popular

terça-feira, 12 de maio de 2009

Não bastou matar São Sepé Tiaraju. Era preciso matar também a sua história

12/5/2009


"A classe hegemônica dos grandes proprietários rurais começa a sentir que está perdendo a guerra ideológica de seu individualismo capitalista para uma economia mais solidária de pequenas propriedades familiares ou comunitária, de associações populares e cooperativas", escrevem Antônio Cechin e Jacques Távora Alfonsin, no artigo que publicamos, hoje, Antonio Cechin é irmão marista, miltante dos movimentos sociais. Jacques Távora Alfonsin é advogado do MST e procurador do Estado do Rio Grande do Sul aposentado.

Eis o artigo.

Acaba de ser posto abaixo pelo poder municipal de São Gabriel um monumento a São Sepé Tiaraju e 1.500 companheiros mártires. Esse desrespeito aos que souberam dar a vida em favor dos irmãos do Povo Guarani e das próprias Missões Jesuíticas, se insere numa sequência de antecedentes que parecem não ter fim.

Tão logo Sepé Tiaraju e o exército guarani, no ano de 1756, foram chacinados pelos exércitos unidos de Espanha e Portugal, impérios mais fortes do mundo da época, a terra que até então era posse comunitária de todo um povo, teve como sucedânea uma economia de latifúndio. Grandes extensões de campo, denominadas sesmarias, começaram a ser apropriadas, começando pelos próprios oficiais comandantes “vencedores” da guerra guaranítica. Além da terra e das sete lindas cidades missioneiras, havia vários milhões de cabeças de gado no pampa, fruto do trabalho dos índios. Não é por acaso que até os dias de hoje, a cidade de São Gabriel, onde o povo guarani travou as batalhas definitivas, é o coração do latifúndio que é predatório de terra e opressor de gente, um dos exemplos brasileiros mais significativos da urgência em se realizar a reforma agrária.

No ano de 1956, quando se completavam os 200 anos do martírio do herói popular Sepé Tiaraju, surgiu um movimento no Rio Grande com vistas a levantar um monumento em praça pública de Porto Alegre, em honra ao “índio do grito”. A pressão bateu às portas do palácio Piratini, sede do governo do Estado. Ildo Meneghetti achou por bem consultar o Instituto Histórico e Geográfico. Esta instituição deu um parecer totalmente contrário dizendo em síntese: “Sepé Tiaraju, herói português não é, porque combateu contra o império de Portugal. Tampouco é herói espanhol pelos mesmos motivos: combateu contra Espanha. Herói brasileiro menos ainda, porque o Brasil nem existia". A conclusão foi contundente: “Quem pariu mateus que o embale. Quando muito Tiaraju talvez possa ser herói jesuítico pois foram os padres que deram origem a essa figura. Eles então que lhe levantem o monumento que quiserem”. Sepé acabava de ser morto mais uma vez. Aos dois impérios que esbulharam as terras do povo guarani, governo e classe dominante do Rio Grande sucediam-lhes em crueldade, sem solução de continuidade.

No ano de 1948, uma equipe de alunos do colégio secundário “Júlio de Castilhos”, filhos de grandes fazendeiros da fronteira, saudosos da vida em suas fazendas do interior, inventaram um movimento gauchista. Adotaram a estância latifundiária dos fins do século XIX e começos do século XX como modelo e padrão do seu tradicionalismo. O MTG que anda espalhadíssimo por aí, não só no Rio Grande mas por todo o Brasil e mesmo fora do país, foi fabricado artificialmente e se consagrou como um tradicionalismo de CTG. É um gauchismo de classe dominante. Um gauchismo ou tradicionalismo às avessas, de cima para baixo. Os pobres do Rio Grande nada tem a ver com ele, nem ontem nem hoje.

O gauchismo do povão que vinha até então, isto é, até esse outro inventado pelos jovens estudantes, vinha sendo pautado, entre muitos, pelos escritores Simões Lopes Neto, Érico Veríssimo e Manoelito de Ornelas. Tem como ato fundante as Missões Jesuíticas com seu mais belo florão, São Sepé Tiaraju, ampliado depois pelos negros quilombolas com a história do Negrinho do Pastoreio e hoje apoiado integralmente pelos movimentos populares, principalmente pelos Sem-Terra e os pequenos agricultores, os operários, os desempregados, os catadores, etc. Infelizmente o gauchismo da classe dominante, o de CTG, continua sendo hegemônico até os dias de hoje.

No ano de 2006, por ocasião dos 250 anos do martírio de São Sepé e dos Missioneiros, os movimentos populares do Rio Grande se uniram e, através de uma lei aprovada por unanimidade pela Assembléia Legislativa, São Sepé Tiaraju foi proclamado herói guarani, missioneiro e rio-grandense. Foi dando concretude a essa lei assinada por todos os deputados e pelo poder executivo do estado que levantamos o Oratório-Monumento em honra de Sepé e companheiros mártires, lutadores em defesa de terra e pátria para o povo guarani. Tivemos o cuidado de erguê-lo na Sanga da Bica, no lugar exato em que tombou Sepé, por ser o primeiro monumento ao santo canonizado pelo povo.

Nesse mesmo ano de 2006, a imprensa registrou através de várias manchetes, a apropriação que os movimentos populares conseguiram fazer da figura histórica de Sepé Tiaraju, contra a classe dominante, especialmente os latifundiários que queriam se adonar do índio mártir e particularmente do seu brado histórico: “Esta terra tem dono pois foi Deus e o Arcanjo São Miguel que no-la deram em herança”. Os latifundiários como anti-povo, tinham e têm em vista a apropriação do “índio do grito” em defesa da propriedade ferrenha das terras como latifúndios, em contraposição com os pobres Sem-Terra que desejam a posse comunitária ou então como pequenas propriedades rurais destinadas à agricultura familiar ecologicamente correta.

A classe hegemônica dos grandes proprietários rurais começa a sentir que está perdendo a guerra ideológica de seu individualismo capitalista para uma economia mais solidária de pequenas propriedades familiares ou comunitária, de associações populares e cooperativas.

Perdida a guerra ideológica contra o povão, só resta o vandalismo até mesmo em cima dos símbolos, como é o caso desse oratório-santuário que acaba de ser demolido. É de se esperar que o Ministério Público do Estado e a Procuradoria da República nesta região do país, pelo menos desta vez, não acrescente à perseguição que movem contra os pobres Sem-Terra, a ignomínia de se omitir diante desse novo massacre, praticado contra a memória de uma das mais contundentes provas históricas de que o sacrifício atual desses pobres não difere em nada daquele que matou São Sepé.

Para ler mais:

http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=22183