"Hay hombres que luchan un dia y son buenos
Hay otros que luchan um año y son mejores
Hay quienes luchan muchos años y son muy buenos
Pero hay los que luchan toda la vida
Esos son los imprescindibles"
(Bertolt Brecht)
quarta-feira, 11 de março de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Retorno da Ilha Revolucionária
Retornei de Cuba no dia 09/02, cheguei ao Brasil no dia 10/02. Estou em processo de organização do material coletado em "La Isla Revolucionaria" e estarei aos poucos colocando minha impressão sobre aquela sociedade que constrói o Socialismo com sacrifício e muita garra. O bloqueio imposto pelos EUA é de uma crueldade inimaginável. Há problemas vários, mas todas aquelas restrições atribuída a Cuba, em relação as liberdades, não são geradas por lei cubana, mas sim, são as ações do império sobre o povo cubano. As mídias capitalistas divulgam como se fossem restrições institucionalizadas pelo governo Cubano. Há uma vida simples, alegre, solidária e amável entre os cubanos e isto eles também fazem com os estrangeiros. O direto de ir e vir, o livre arbítrio e a unidade do povo é preservada como fonte de manifestação da diversidade dentro de um espírito de união e respeito. A sociedade cubana adora o pluralismo, a diversidade, a abundância de pensamento e da praticidade gerada pelo raciocínio das pessoas, por isto a participação popular garante a revolução que resiste ao império. Suportaram a queda da Urss, que dava um suporte econômico importante e fundamental para a Ilha, hoje, resite ao assédio da globalização e o enrijecimento dos governos norte-americanos, em seu turno bloqueou a contas de Cuba no exterior. Mas Cuba caminha para algumas conquistas, como a auto-suficiência em petróleo e energia.
Indo a Cuba perde-se aquele romantismo infantil. Mas Cuba tem Socialismo, sem dúvida! Viva o Socialismo!
Assim, com o decorrer do tempo, as reflexões sobre a Ilha Revolucionária serão postadas, de acordo com a elaboração e ordenação dos argumentos que possam clarear os conhecimentos adquiridos nessa experiência.
Abraço fraterno
Raoul José Pinto
Viva a Revolução Cubana!
Viva os 50 anos da Revolução em Cuba!
Viva Fidel! Viva Raúl!
Viva a XVI Brigada Sul-Americana de Solidariedade a Cuba!
Até a Vitória! Venceremos!
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Passagem à Ilha Revolucionária
Prezados Leitores e Camaradas!
" Socialismo é o nome político do Amor" (Frei Betto)
Domingo, dia 25 de janeiro, estarei embarcando para Cuba. É a primeira viagem que faço para a ilha revolucionária do Caribe e a expectativa é de apreender a dinâmica de uma sociedade estruturada em outras bases, e a partir dela ampliar a avaliação sobre o que acontece no mundo hoje, qual a perspectiva da Revolução Cubana e quais os caminhos que devemos começar a trilhar para a revolução em outros países. Clarear a situação vivida pela esquerda no mundo, pois a realidade se diversifica e muitas vezes, a esquerda, se exclui da luta refugiando-se em velhos dogmas, ou se ajusta a institucionalidade capitalista, ou ainda, não enxerga sua dinâmica.
Novas e ricas experiências têm surgido no mundo, como o Exercito Zapatista de Libertação Nacional - EZLN, no México; na Venezuela, com Chávez; na Bolívia, com Evo Morales; no Equador, com Rafael Correa. Experiência como a da Bolívia é hoje, a meu ver, o laboratório da luta revolucionária no mundo pela sua diversidade em relação a sua sociabilidade coletiva. A dificuldade do capitalismo em ser hegemônico naquele país, resgata sua identidade e não nega os avanços da tecnologia,. É uma sociedade que quer combinar a tecnologia e a produtividade pelo usufruto coletivo. Não pela relação de troca, mas pela necessidade da sociedade de preservar a cultura e o meio ambiente, construindo uma sociedade que se despe do egoísmo e da alienação; desenvolvendo a magnífica capacidade criadora do ser humano.
Cuba é o coração vivo da Revolução permanente. Resistiu às vicissitudes que advieram pelo fim do bloco do socialismo real no leste europeu. Continua resistindo ao bloqueio e aos ataques terroristas do império norte-americano. Essa perícia, dignidade e rebeldia fazem de Cuba uma nação em luta continua para manter os ideais revolucionários e avançar em suas conquistas diante do mundo. Cuba é o exemplo de soberania, convicção e tem autoestima que lhe garantem o morla alto para continuar no caminho escolhido. Sabe que, embora as dificuldades, conseguirá triunfar diante de todas as ameaças e ações destrutivas dos capitalistas. Enxergamos a sociedade cubana como aquela que se empenha, dia-a-dia, por justiça social. Dentro dessa postura extrapola suas divisas pelo seu internacionalismo, e pela sua solidariedade para com outros povos.
Neste momento, estou despedindo-me de todos vocês e, dentro do tempo disponível, estarei atualizando o blog diretamente de Cuba. Ao mesmo tempo, estarei escrevendo e priorizando um diário sobre as experiências vividas na ilha revolucionária.
E, para finalizar, expresso a honra que sinto em participar da XVI BRIGADA SUL-AMERICANA DE SOLIDARIEDADE A CUBA – ANO 50 DA REVOLUÇÃO-, na qual o trabalho voluntário como dizia o Cmte. Che Guevara é uma atitude genuína dos comunistas. Entrego-me, com fervor e alegria, nesta missão. Deixo claro que não medirei esforços na realização deste intento.
Dedico esta "Passagem à Ilha Revolucionária" a minha mulher Maristela, aos 25 anos do MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra do Brasil, aos Camaradas José Ernesto Grisa, João Pedro Fernandes e, em especial, ao Cmte. Fidel Castro Ruz.
Abraço-lhes com toda fraternidade revolucionária,
Brigadista Raoul José Pinto
Viva a Revolução Cubana!
Viva a Revolução Mundial!
Viva todos os Brigadistas!
Pátria ou Morte!
Até a Vitória!
Venceremos!
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Instrumento voador da Desgovernadora Yeda Crusius do RS
Desculpem-me, prezados leitores, mas não dá para levar este governo a sério.
"Deputados da situação, defendendo a proposta da governadora para comprar um instrumento voador, no parlamento".
Percebam a linguagem dos parlamentares ligados a governadora Yeda Crusius. Este é o idioma que ela fala com o povo gaúcho.
Vejam o vídeo:
Voa passarinho, voa! Voa passarinho, voa!
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
RS Insurgente: o bom exemplo vem de Cuba
"As revoluções só avançam e perduram quando o povo é protagonista"
Santiagueiras e santiagueiros;
Orientais;
Combatentes do Exército Rebelde, da luta clandestina e de cada combate em defesa da Revolução durante estes 50 anos;
Compatriotas:
O primeiro pensamento, num dia como hoje, será para os que tombaram nesta longa luta. Eles são paradigma e símbolo do esforço e do sacrifício de milhões de cubanos. Estreitamente unidos, empunhando as poderosas armas que significam a direção, os ensinamentos e o exemplo de Fidel, aprendemos no rigor da luta a converter sonhos em realidades; a não perdermos a calma e a confiança diante dos perigos e das ameaças; aprendemos a cobrar esperança depois dos grandes reveses; a converter em vitória cada desafio e a enfrentar as adversidades, por muito inultrapassáveis que pudessem parecer.
Os que tivemos o privilégio de viver com toda intensidade esta etapa de nossa história, sabemos muito bem quão certo foi o alerta que nos fez naquele 8 de janeiro de 1959, em seu primeiro discurso ao entrar na capital:
"A tirania foi derrubada. A alegria é imensa. Contudo, ainda falta muito por fazer. Não nos enganamos acreditando que daqui em diante tudo será fácil; talvez doravante tudo seja mais difícil", concluiu.
Pela primeira vez, o povo cubano alcançava o poder político. Desta vez, junto a Fidel, os mambises (cubanos que lutaram pela independência de Cuba no século 19 contra os espanhóis) conseguiram entrar em Santiago de Cuba. Atrás ficavam 60 anos exatos de dominação absoluta do nascente imperialismo norte-americano, que não tardaria em mostrar seus verdadeiros propósitos, ao impedir a entrada do Exército Libertador nesta cidade.
Também ficaram atrás a grande confusão e, sobretudo, a frustração enorme gerada pela intervenção norte-americana. No entanto, manteve-se em pé, além de sua dissolução formal, a decisão de luta do Exército Mambí e o pensamento que guiou as armas de Céspedes, Agramonte, Gómez, Maceo e tantos outros próceres e combatentes pela independência.
Vivemos algo mais de cinco décadas de governos corruptos, de novas intervenções norte-americanas; a tirania de Gerardo Machado e a revolução frustrada que a derrubou. Mais tarde, em 1952, o golpe de Estado, com o apoio do governo norte-americano, instaurou de novo a ditadura, fórmula aplicada nesses anos para garantir sua dominação na América Latina.
Para nós, ficou claro que a luta armada era a única via. Nós, os revolucionários, como antes acontecera com Martí, ficamos novamente diante do dilema da guerra necessária pela independência, truncada em 1898.
O Exército Rebelde retomou as armas dos mambises e, depois da vitória, se transformou para sempre nas invencíveis Forças Armadas Revolucionárias.
A Geração do Centenário, que em 1953 assaltou os quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes, contou com o importante legado de Martí, com sua visão global humanista, que vai além da consecução da libertação nacional.
Em termos históricos, foi breve o tempo entre a frustração do sonho dos mambises e o triunfo na guerra de libertação. No começo deste período, Mella, um dos fundadores do nosso primeiro partido comunista e criador da Federação Estudantil Universitária (FEU), tornou-se herdeiro legítimo e ponte que liga o pensamento martiano às idéias mais avançadas.
Foram anos de maturidade da consciência e da ação de operários e camponeses, e de formação de um setor intelectual genuíno, valente e patriótico, que os acompanha até hoje.
O magistério cubano, fiel depositário das tradições de luta de seus antecessores, incutiu-as no melhor das novas gerações.
Desde o triunfo, foi evidente para cada homem e mulher humilde que a Revolução era um cataclismo social justiceiro que bateu a todas as portas, desde os palacetes da Quinta Avenida até a mais misérrima e afastada cabana de nossos campos e montanhas.
As leis revolucionárias não só cumpriram o programa do Moncada, mas também satisfizeram outras exigências na lógica evolução do processo. Além disso, estabeleceram um precedente para os povos da nossa América que, há 200 anos, iniciaram o movimento para se emancipar do colonialismo.
Em Cuba, a história americana encaminhou por rumos diferentes. Nada moralmente valioso foi alheio ao turbilhão que, mesmo antes do dia 1º de janeiro de 1959, começou a eliminar opróbrios e iniqüidades, e deu passo ao gigantesco esforço de todo um povo, determinado a dar-se a si próprio quanto merece e conseguiu construir com seu sangue e seu suor.
Milhões de cubanos têm sido trabalhadores, estudantes, soldados, ou simultaneamente, as três coisas, tantas vezes como as circunstâncias assim o exigiram.
A síntese magistral de Nicolás Guillén resumiu o significado da vitória de janeiro de 1959 para o povo: "Tenho o que tinha que ter", diz um de seus versos, referindo-se não a riquezas materiais, mas ao fato de sermos donos de nosso destino.
É uma vitória duas vezes meritória, porque foi alcançada. apesar do ódio doentio e vingativo do poderoso vizinho.
A incitação e o apoio à sabotagem e ao banditismo; a invasão à Baía dos Porcos; o bloqueio e outras agressões econômicas, políticas e diplomáticas; a permanente campanha de mentiras dirigida a denegrir a Revolução e seus líderes; a Crise dos Mísseis, os seqüestros e ataques a embarcações e aviões civis; o terrorismo de Estado, com seu terrível saldo de 3.478 mortos e 2.099 incapacitados; os planos de atentados a Fidel e a outros dirigentes; os assassinatos de operários, camponeses, pescadores, estudantes, diplomatas e combatentes cubanos. Esses e muitos outros crimes são prova do obcecado empenho de apagar, a qualquer preço, a luz de justiça e decoro que significou a alvorada de 1º de janeiro.
Uma após outra, todas as administrações norte-americanas não deixaram de tentar forçar uma mudança de regime em Cuba, por uma ou outra via, com maior ou menor agressividade.
Resistir é a palavra de ordem e a chave de cada uma das nossas vitórias, durante este meio século de luta incansável, em que partimos invariavelmente do fato de pôr em perigo nossa própria pele, sem deixarmos de reconhecer a ampla e decisiva solidariedade recebida.
Há muitos anos, os revolucionários cubanos nos cingimos à máxima martiana: "A liberdade custa muito cara, e é preciso resignar-se a viver sem ela, ou decidir-se a comprá-la a seu preço".
Nesta praça, no 30º aniversário do triunfo, Fidel disse: "Estamos aqui, porque conseguimos resistir". Uma década depois, em 1999, desta mesma sacada, afirmou que o período especial constituía "a mais extraordinária página de glória e firmeza patriótica e revolucionária, (…) quando ficamos absolutamente sozinhos no meio de Ocidente, a 90 milhas [145 km] dos Estados Unidos e resolvemos continuar adiante". Fim da citação. Hoje, repetimo-lo assim.
Tem sido uma resistência firme, sem fanatismos, baseada em sólidas convicções e na decisão de todo um povo de defendê-las ao preço que for necessário. Prova disso, neste momento, é a firmeza de nossos gloriosos Cinco Heróis (Aplausos e exclamações de: "Viva!").
Hoje não estamos sozinhos diante do império neste lado do oceano, como aconteceu nos anos sessenta, quando os Estados Unidos, em janeiro de 1962, impuseram o absurdo de expulsar Cuba da OEA, o país que pouco antes fora vítima de uma invasão organizada pelo governo norte-americano e escoltada até nossas costas por seus navios de guerra. Precisamente, como foi demonstrado, essa expulsão era o prelúdio de uma intervenção militar direta, impedida apenas pela instalação dos mísseis nucleares soviéticos, que resultou na Crise de Outubro, conhecida mundialmente como a Crise dos Mísseis.
Hoje a Revolução é mais forte do que nunca e jamais cedeu um milímetro só em seus princípios, nem nos momentos mais difíceis. Não muda minimamente essa verdade o fato de que alguns poucos se cansam e até renegam de sua história, esquecendo-se de que a vida é um eterno batalhar.
Será que isso significa que diminuíram os perigos? Não, não caiamos em ilusões. Agora, que comemoramos este meio século de vitórias, impõe-se a reflexão sobre o futuro, sobre os próximos cinqüenta anos, que serão também de luta permanente.
Observando as atuais turbulências do mundo contemporâneo, não podemos pensar que serão mais fáceis, digo-o não para apavorar alguém, é a pura realidade.
Também devemos levar bem em conta o que Fidel disse a todos nós, mas especialmente aos jovens, na Universidade de Havana, em 17 de novembro de 2005: "Este país pode se autodestruir; esta Revolução pode ser destruída, mas hoje são eles os que não podem destruí-la; nós sim, nós podemos destruí-la, e seria culpa nossa", sentenciou.
Diante dessa possibilidade, pergunto-me: qual é a garantia de que não aconteça algo tão terrível para nosso povo?
Como evitar um golpe tão aniquilador em que precisaríamos de muito tempo para nos recuperarmos e alcançarmos de novo a vitória?
Falo em nome de todos os que lutamos, desde os primeiros disparos nos muros do Moncada, há 55 anos, até dos que cumpriram heróicas missões internacionalistas.
Falo também, é claro, em nome dos que morreram nas guerras de independência e, mais recentemente, na guerra de libertação. Representando todos eles, falo em nome de Abel e de José Antonio, de Camilo e do Che, quando afirmo, em primeiro lugar, que isso exige dos dirigentes do amanhã nunca esquecerem que esta é a Revolução dos humildes, pelos humildes e para os humildes (Aplausos); que não embrandeçam com os cantos de sereia do inimigo e tenham consciência de que, por sua essência, nunca deixará de ser agressivo, dominante e traiçoeiro; que jamais se afastem dos nossos operários, dos nossos camponeses e do resto do povo; que os militantes impeçam que o Partido seja destruído. Aprendamos com a história.
Se agirem assim, sempre contarão com o apoio do povo, inclusive, quando se enganarem em questões que não violem princípios essenciais. Porém, se seus atos não forem conformes essa conduta, nem sequer contarão com a força necessária nem a oportunidade para retificar, visto que carecerão da autoridade moral que só outorgam as massas àqueles que não cedem na luta. Poderiam terminar sendo fracos diante dos perigos externos e internos, e incapazes de preservarem a obra, fruto do sangue e do sacrifício de muitas gerações de cubanos.
Se isso chegasse a acontecer, ninguém duvide disso, nosso povo saberá lutar, e na primeira linha estarão os mambises de hoje, que não se desarmarão ideologicamente nem deixarão cair a espada (Aplausos e exclamações).
Cabe à direção histórica da Revolução preparar as novas gerações para assumirem a enorme responsabilidade de continuar o processo revolucionário.
Esta heróica cidade de Santiago, e Cuba toda, foi testemunha do sacrifício de milhares de compatriotas; da raiva acumulada perante tanta vida truncada pelo crime; da dor infinita das nossas mães e do valor sublime de suas filhas e seus filhos.
Cá nasceu um jovem revolucionário, que apenas tinha 22 anos quando foi assassinado, que simboliza essa disposição para o sacrifício, pureza, valentia, serenidade e amor à pátria de nosso povo: Frank País García.
Nesta terra do oriente do país nasceu a Revolução. Aqui foi a clarinada de La Demajagua e de 26 de julho; aqui desembarcamos no Granma e iniciamos o combate em montanhas e planícies, estendido depois a toda a Ilha. Como disse Fidel em A História me Absolverá, aqui, "a cada dia, parece que haverá novamente o de Yara ou o de Baire".
Nunca mais voltarão a nossa terra a miséria, a ignomínia, o abuso e a injustiça!
Jamais voltará a dor ao coração das mães nem a vergonha a alma de cada cubano honesto!
É a firme decisão de uma nação em pé de luta, ciente de seu dever e orgulhosa de sua história (Aplausos).
Nosso povo sabe cada imperfeição da obra que ele próprio constrói com seus braços e defende pondo sua vida em risco. Os revolucionários somos nossos principais críticos. Não hesitamos em elucidar publicamente deficiências e erros. Sobram os exemplos passados e recentes.
Desde 10 de outubro de 1868, a desunião foi a causa fundamental de nossas derrotas. A partir de 1º de janeiro de 1959, a unidade, forjada por Fidel, é garantia de nossas vitórias. Nosso povo conseguiu mantê-la diante de todas as adversidades e tentativas separatistas e soube colocar os anseios comuns por cima das diferenças, derrotar mesquinhezes, à força de coletivismo e generosidade.
As revoluções só avançam e perduram quando o povo é protagonista. O fato de ter compreendido essa verdade e agido invariavelmente em conseqüência com ela, foi fator decisivo da vitória da Revolução cubana face a inimigos, dificuldades e desafios aparentemente invencíveis.
Neste primeiro meio século de Revolução vitoriosa, nosso principal tributo a nosso maravilhoso povo; a sua exemplar decisão, valor, fidelidade, vocação solidária e internacionalista; a sua extraordinária demonstração de vontade, espírito de sacrifício e confiança na vitória, no Partido, em seu máximo líder e, sobretudo, em si próprio (Aplausos).
Sei que expresso o sentir dos meus compatriotas e de muitos revolucionários no mundo, ao prestar homenagem nesta hora ao líder da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz (Aplausos e exclamações).
Um indivíduo só não faz a história; sabemos disso, mas existem homens imprescindíveis capazes de influírem decisivamente em seu curso. Fidel é um deles, ninguém duvida, nem mesmo seus inimigos mais acérrimos.
Desde muito jovem, tornou seu um pensamento de Martí: "Toda a glória do mundo cabe num grão de milho". Converteu-o em escudo contra o fátuo e o passageiro, sua principal arma para transformar lisonjas e honras, por merecidas que forem, em maior modéstia, honradez, decisão de luta e amor pela verdade, que invariavelmente ele colocou acima de tudo.
A essas idéias se referiu, nesta mesma praça, há 50 anos. Suas palavras daquela noite têm uma vigência absoluta.
Neste momento especial, que nos faz meditar o caminho percorrido e, sobretudo, o ainda mais longo que temos perante nós, quando ratificamos de novo o compromisso com o povo e nossos mártires, permitam-me concluir repetindo o alerta premonitório e o apelo ao combate que nos fez o Fidel neste histórico lugar, em 1º de janeiro de 1959, quando sublinhou:
"Não julgamos que todos os problemas irão ser facilmente resolvidos, sabemos que o caminho está cheio de obstáculos, mas somos homens de fé, que sempre enfrentamos as grandes dificuldades. O povo pode ter certeza de uma coisa: 'talvez possamos nos enganar uma ou muitas vezes, mas jamais poderá dizer que nós roubamos, que traímos".
E acrescentou:
"Nunca nos deixaremos arrastar pela vaidade nem pela ambição, (…) não há satisfação nem prêmio maior do que cumprir o dever", concluiu.
Numa data de tanto significado e simbolismo, meditemos estas idéias que constituem um guia para o revolucionário verdadeiro. Façamo-lo com a satisfação do dever cumprido até hoje; com o aval de ter vivido com dignidade o mais intenso e fecundo meio século de história-pátria e com o firme compromisso de que nesta terra sempre poderemos exclamar com orgulho:
Glória aos nossos heróis e mártires! (Exclamações de: "Glória!")
Viva Fidel! (Exclamações de: "Viva!")
Viva a Revolução! (Exclamações de: "Viva!")
Viva Cuba livre! (Exclamações de: "Viva!")
(Ovação).
O original encontra-se em http://www.granma.cu/espanol/2009/enero/juev1/jamas.html e a versão em português em http://www.granma.cu/portugues/2009/enero/lun5/2discursoP.html
Este discurso encontra-se em http://resistir.info/ .
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
O Gaúcho e seu Avesso
| Escrito por Mário Maestri | |
| 26-Mar-2007 | |
|
http://www.correiocidadania.com.br/content/view/36/ Apesar da função germinal que a fazenda pastoril desempenhou na origem e no desenvolvimento da formação social sulina, não dispomos de sequer uma história geral da estância no Rio Grande, ao contrário do Uruguai e da Argentina, onde abundam valiosos trabalhos sobre o tema. Guilhermino César, último grande expoente da historiografia tradicional sulina, esboçou uma primeira leitura geral da estância sem jamais concluir o trabalho, publicado postumamente – A origem da economia gaúcha: o boi e o poder [Porto Alegre: IEL, 2005.]
Esse paradoxo manteve-se apesar da abundância da documentação; da qualidade e da quantidade dos estudiosos; dos paradigmas interpretativos sobre a estância construídos pela historiografia platense. A história da fazenda no Sul permaneceu como uma espécie de caixa de Pandora, mantida cuidadosamente cerrada. São múltiplas as razões de tal esquisitice historiográfica. Como no Plata, os mitos da democracia pastoril e da produção sem trabalho são também bases constitutivas das explicações apologéticas do passado sulino. O Sul divide com aquelas regiões a apologia das virtudes democráticas dos latifúndios, da produção pastoril sem trabalho, da ocupação pelo colonizador de terras sem donos, de civilização assentada na destemidez do gaúcho, trabalhador livre que jamais conheceu a opressão de classe.
Entretanto, ao contrário dos pampas platenses, o Rio Grande possuiu economia e sociedade fortemente apoiadas no trabalho escravizado. Realidade negada ou minimizada pelos intelectuais orgânicos da sociedade liberal-pastoril, inicialmente, e positivista-industrial, a seguir, apesar de os levantamentos populacionais dos séculos 18 e 19 registrarem o volume e a expansão absoluta da mão-de-obra cativa no Sul, além do fim do tráfico transatlântico, em 1850-2. Uma produção escravista sulina que envolveu em forma significativa, ainda que não exclusiva, a própria economia pastoril.
Em geral, mesmo quando a historiografia sulina reconheceu alguma importância ao trabalho escravizado, esforçou-se em reafirmar a fazenda pastoril ou, ao menos, as práticas pastoris propriamente ditas como esferas de intervenção exclusivas do trabalhador livre – o gaúcho. A população escravizada registrada nas fazendas trabalharia exclusivamente nas atividades não-pastoris domésticas e mais pesadas – horta, transporte, construção etc. O cativo campeiro, presença constante nas fazendas pastoris médias e de maior porte, foi tradicionalmente ignorado.
Gaúcho nem sempre é peão
Nos fatos, essa visão historiográfica apologética já confundia comumente a categoria profissional peão-peón, assalariado livre das fazendas pastoris do sul da América, com o gaúcho-gaucho, categoria étnico-social constituída sobretudo por descendentes ou mestiços de charruas e guaranis que perambulavam nos pampas argentinos, uruguaios e rio-grandenses, empregando-se, eventualmente, como peões. Nos fatos, o gaúcho nem sempre foi um peão, assim como peão não era, necessariamente, um gaúcho.
A elucidação das razões da utilização do cativo nas práticas criatórias, mão-de-obra relativamente cara considerando-se a baixa rentabilidade da criação animal, quando existiam gaúchos hábeis nas lides do campo, constituía também dificuldade metodológica na solução dessa verdadeira charada historiográfica. A superação dessa contradição aparente exigia a compreensão da disponibilidade apenas aparente do trabalhador livre e que se identificassem as razões histórico-estruturais do caráter subordinado do mercado de trabalho livre no Sul, ao igual de que ocorria no resto do Brasil.
Até os últimos tempos da escravidão, os campos sulinos não foram plenamente apropriados e cercados e o gaúcho detinha parcialmente os instrumentos – cavalos, arreios etc. – necessários à produção furtiva ou semi-furtiva, em geral intermitente, de seus meios de subsistência. O que dificultava sua metamorfose plena em peão, trabalhador pastoril assalariado, obrigado pela necessidade econômica a vender permanentemente sua força de trabalho a preço vil. Nessas condições históricas, o trabalho coato ou semi-coato impunha-se como uma importante relação de trabalho na produção pastoril, ainda que não assumisse o caráter quase exclusivo, como ocorria nas atividades mais duras, como as charqueadas, monocultura exportadora etc.
A própria fantasia apologética sobre as condições de existência singularmente positivas do gaúcho-peão, identificado de fato ao fazendeiro, reafirmada pela historiografia tradicional, dificultava a compreensão da incapacidade dessas categorias sociais de reproduzir-se vigorosamente, criando população excedente capaz de substituir abundantemente a mão-de-obra escravizada, quando subsistissem as condições para tal. O padrão de existência do gaúcho-peão rio-grandense no século 19 e começos do século 20 exige estudo como o desenvolvido por Laudelino Medeiros, para os anos 1960, em “O peão de estância: um tipo de trabalhador rural” [Porto Alegre: Instituto de Estudos e Pesquisas Econômicas da UFRGS, 1964].
O fazendeiro nos panos do gaúcho
O deslocamento geográfico do célebre monumento do Laçador, na entrada de Porto Alegre, centrou os holofotes da mídia regional nesse registro exemplar da ocultação do rosto triste do gaúcho-peão, herói anônimo do mundo do trabalho do passado sulino, através da projeção sobre sua representação da imagem idealizada do fazendeiro, seu antípoda social.
Em 1954, as celebrações do quarto centenário de São Paulo ensejaram concurso para a produção de escultura representativa do homem sulino, a ser exposta, junta a outras estátuas de homens-tipo brasileiros, no parque do Ibirapuera, inaugurado quando do evento. Participaram do certame artistas conhecidos como Antônio Caringi, Fernando Corona, Vasco Prado, que apresentaram cinco projetos, em modelos reduzidos – “Posteiro”, “Boleador”, “Bombeador”, “Peão da Estância” e “Gaúcho Farrapo”.
A comissão avaliadora, da qual participava o jovem tradicionalista Paixão Cortes, decidiu em favor de Antônio Caringi (1905-1981), natural de Pelotas, antigo centro charqueador-escravista, que substituiu as boleadeiras por laço, ensejando a nova denominação do seu projeto. Modelada em barro e a seguir em gesso, para ser eventualmente fundida e doada após a exposição à municipalidade de São Paulo, a estátua retornou ao Sul, permanecendo semi-esquecida em depósito da capital até ser retirada do olvido, para ser fixada em bronze, por ordem de Leonel Brizola, então prefeito da capital [1954-8].
Em 20 de setembro de 1958, data magna das celebrações farroupilhas, a majestosa estátua – quatro metros e meio de altura, quatro toneladas de peso – era plantada na confluência das avenidas Farrapos e Ceará, na mais nobre entrada de Porto Alegre, nas proximidades do aeroporto Salgado Filho, símbolo da modernidade pretendida pela metrópole sulina. A obra alcançou rápido sucesso. Em 1991, era escolhida em consulta promovida pelo Banco Itaú-RBS como símbolo da capital, decisão homologada pela Câmara dos Vereadores, no ano seguinte, e, em 17 de setembro de 2001, era tombada pelo patrimônio como monumento histórico. Antes dessas distinções, já era motivo sempre presente nos cartões de viagens, prospectos e alegorias sobre a capital e o estado.
Brigadianos e cetegistas
Em 11 de março de 2007, quando se preparava para celebrar meio século guardando a entrada de Porto Alegre, o Laçador foi transferido, pajeado pela Brigada Militar e cavalaria cetegista, sob o som do hino rio-grandense e de canções tradicionalistas, para seiscentos metros de distância, na avenida dos Estados, próximo à estação da Trensurb e ao antigo terminal do Aeroporto Salgado Filho, devido às obras do viaduto Leonel Brizola.
O deslocamento da estátua do eixo central da visão dos que chegam à capital pela BR-116 obrigou sua colocação sobre pequena elevação em terra, batizada em forma grandiloqüente de “Coxilha do Laçador”. Durante todo o processo, as autoridades municipais consultaram os vates tradicionalistas, temerosas de incorrerem impensadamente em alguma profanação.
Nada na estátua monumental fixa plasticamente o peão-gaúcho, descendente do pampiano ou missioneiro ou, menos ainda, o cativo campeiro, presença constante nas grandes estâncias. O Laçador constitui negação do olhar, do porte e, sobretudo, do corpo do gaúcho-peão, corpo dolorosamente esculpido por existência de trabalho duro e perambulação sem fim em campos que haviam sido, mas já não eram mais seus.
Os traços somáticos europeus, a postura dominadora, os trajes de manequim empertigado para foto oficial anulam a representação do gaúcho-peão real, ao projetar sobre ela a imagem mitificada do fazendeiro luso-descendente, que se apropriou, sem dó, da terra que pisou e dos trabalhadores que a exploraram. O Laçador volta as costas ao gaúcho-peão real, materializando-se como representação de herói imaginário produzida com as reconstruções do presente sobre passado pastoril mítico estranho às necessidades e contradições sociais. Uma operação cultural-ideológico que se deu paradoxalmente sem mediações.
Super-heróis rio-grandenses
Autor de outras esculturas áulico-monumentais, como o “Imigrante”, em Caxias do Sul; o “Soldado Farroupilha”, em Pelotas; “Bento Gonçalves” e o “Expedicionário”, em Porto Alegre, Caringi não se inspirou na iconografia e na documentação história ou, melhor ainda, no trabalhador pastoril de sua época, explorado e sofrido, descendente sociológico do gaúcho-peão que prometia retratar.
O Laçador teve, ao contrário, como modelo e conselheiro histórico, Paixão Cortes, descendente de lusitanos e servidor produtivo e imaginativo da fazenda, como engenheiro-agrônomo e como fundador do movimento de apologia do mundo pastoril-latifundiário, que posou e aconselhou o artista, vestido de trajes folclorizados de gaúcho, no conforto de sua residência da capital.
O próprio Paixão Cortes registrou a estranha gênese do Laçador: “[...] um dia eu estou lá em casa e batem na porta. Era o Caringi, que [...] me pediu se poderia conseguir um traje de gaúcho [...]. Eu disse que só tinha o meu, então ele pediu se eu poderia vestir. Eu vesti e ele foi fazendo desenhos [...]. Ele [...] voltou várias vezes e eu sempre colocava o traje e nós debatíamos o que seria” [Melhor Idade, 15.02.07]. Por esse seu pecado, durante toda a vida, Caringi amargou o amplo conhecimento popular do modelo e a quase ignorância do produtor da mais célebre escultura rio-grandense.
Mário Maestri é professor do curso e do programa de pós-graduação em História da UPF. E-mail: maestri@via-rs.net |