"Hay hombres que luchan un dia y son buenos
Hay otros que luchan um año y son mejores
Hay quienes luchan muchos años y son muy buenos
Pero hay los que luchan toda la vida
Esos son los imprescindibles"
(Bertolt Brecht)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Encontro da burguesia guasca


FORUM DA LIBERDADE – EDIÇÃO 2010

REABILITAÇÃO DO INDIVIDUALISMO E DA GANÂNCIA COMO VALORES MORAIS

5 MIL PARTICIPANTES, A MAIORIA COM MENOS DE 30 ANOS

Tania Jamardo Faillace[1]

O XXIII Forum da Liberdade, realizado nos dias 12 e 13 de abril, em Porto Alegre, no Centro de Convenções da PUC, trouxe algumas novidades.

Para principiar, teve como seu mote e pauta, os seis princípios político-econômicos que balizam o ideário neoliberal, conforme foi concebido pelo economista austríaco Ludwig von Mises, falecido em 1973.

Esses seis princípios focalizam alguns temas-chaves do século XX, como a oposição capitalismo-socialismo, o que é a inflação, o intervencionismo estatal, a questão da liberdade individual, etc., aos quais Von Mises dá interpretação diferente das outras escolas econômicas, como no caso da inflação, considerada uma decisão arbitrária do Governo para aumentar a oferta de moeda circulante, ao invés de uma tentativa para resolver uma crise econômico-produtiva por via monetária. Contrariamente ao rigorismo quase matemático que caracteriza normalmente a Ciência Econômica, seja qual for seu objetivo final no desenvolvimento das sociedades, o ideário de Von Mises é fundamentalmente subjetivo e psicológico, e é expresso numa linguagem coloquial, dentro da perspectiva do homem comum, a nível de suas percepções individuais imediatas, e não a nível de sua reflexão.

Não busca, pois, estabelecer as categorias econômicas ou sociais dentro de critérios históricos, sociológicos, ou científicos, recorrendo a alguma metodologia, mas se embasa nas impressões subjetivo-emocionais de um indivíduo isolado de seu contexto e de sua história.

Assim, um de seus seguidores, o jovem engenheiro Luiz Leonardo Fração, presidente do Instituto de Estudos Empresariais, define sua visão do que seria a liberdade absoluta: a propriedade absoluta do próprio corpo e a liberdade total para decidir suas ações. Instado a definir o que seria a liberdade individual absoluta dentro de uma sociedade – Fração está convicto de que cada um vive sua liberdade absoluta como melhor lhe parece, sem dever satisfações a quem quer que seja, muito menos ao Estado e aos grupos sociais. Essa liberdade absoluta coexistiria com a liberdade absoluta das outras pessoas, não sendo admitida a hipótese de que duas liberdades absolutas forçosamente se tornam relativas uma com referência à outra.

Esse ideário, que tem algumas afinidades com o anarquismo individualista do “é proibido proibir” da contracultura dos anos 70 – não implica em despreocupação com o mundo material, como era de praxe naquela época, mas, pelo contrário, assume como legítimas a luta pela riqueza e a concorrência econômica sem normas e sem fiscalização.

Conforme Eduardo Marty, argentino e fundador do Junior Achievement da Argentina, está em tempo de serem reabilitados moralmente os sentimentos de ganância e o individualismo, e aposentar de vez o altruísmo e o espírito de sacrifício que a cultura ocidental considera como valores maiores.

Esses neoliberais filosóficos pregam o egoísmo sem culpa, e rejeitam normas, regulamentos, leis, limitações. E, a nível de produção, rejeitam o planejamento econômico como regra, o controle de qualidade, a proteção dos mercados, as taxas aduaneiras, e a fiscalização das práticas comerciais hoje consideradas desleais, como o dumping e assemelhados.

Para eles, o mercado sozinho controla tudo, podendo equalizar as discrepâncias entre os concorrentes, e, inclusive, reduzir o impacto dos cartéis e dos monopólios na economia geral. Tudo isso seria espontaneamente equilibrado pelo mercado. Isto é, o consumidor escolheria livremente os melhores produtos e os mais baratos, sem necessitar de proteção ou regras do Governo.

Na linguagem dos jovens neoliberais, o Governo, qualquer governo, é uma espécie de usurpador da liberdade dos indivíduos. E qualquer ingerência sua nos negócios das pessoas é considerada como uma prepotência e ameaça de tirania.

Dentro dessa doutrina, em sua interpretação jovem (os mais velhos são menos radicais), o Governo torna-se uma Categoria ao invés de uma Função. Coisa que, certamente, há de surpreender os sociólogos em geral. Assim, o Governo é uma categoria não só diferente, como antagônica à Sociedade na qual age, e essa Sociedade não é composta por grupos de interesses conflitantes, mas por indivíduos que defendem encarniçadamente sua liberdade individual e também sua propriedade individual.

São esses jovens, portanto, avessos tanto ao Governo como à organização estatal, e também aos serviços públicos. Fração diz textualmente: “por que seremos obrigados a aceitar serviços que não queremos? escolas que não queremos, por exemplo? ainda se tolera contribuir voluntariamente com aqueles que não podem, mas que essa contribuição seja obrigatória, seja um imposto, é um ROUBO.”

Para ilustrar esse pensamento, algumas dezenas de rapazes, moças e até adultos, contratados pela Vittapromo (empresa promotora de eventos) distribuiram aos presentes folhetos contra a cobrança dos impostos no Brasil, vestindo camisetas coloridas com os nomes dos impostos e taxas cobrados pelo poder público, desde Imposto de Renda, até IPVA, IPTU, e taxas de apoio a atividades estratégicas (marinha, aeroportos, etc.)

PROGRAMAÇÃO

As atividades em si constituiram-se em palestras de abertura e painéis, absolutamente simétricos, cada um correspondendo a uma das lições de Von Mises: Capitalismo, Socialismo, Inflação, Intervencionismo, Investimento Estrangeiro, Políticas e Idéias.

Como palestrantes, pessoas de destaque empresarial e político, em sua maioria da linha liberal tradicional; outros, adeptos da versão neoliberal, e apologistas do estado mínimo; e, finalmente membros de entidades que defendem a eliminação da função estatal, substituída talvez, por uma espécie de auto-controle e auto-governo espontâneos.

A abertura do evento foi feita pelo presidente mundial da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, um cidadão do mundo, de família líbano-brasileira, mas que fez sua vida na Europa, nos Estados Unidos, e no Japão, onde introduziu alterações profundas no sistema trabalhista e cultural daquele país, acabando – dentro da Nissan – com o emprego vitalício, e demitindo 20 mil operários de uma só vez para equilibrar as finanças da empresa. Ghosn afirmou seu gosto pelos desafios, e seu desejo de fazer fortuna pessoal como os grandes motores de sua trajetória profissional.

Os pronunciamentos mais diretos e objetivos, do ponto de vista de uma ação estratégica no macro campo econômico real, foram feitos pelos banqueiros Henrique Meirelles (Banco Central), e Pedro Moreira Salles (Itaú – private bank). O primeiro explicou a política monetária seguida pelo atual governo brasileiro e a razão de seu êxito; e Moreira Salles, também numa palestra expositiva e ilustrada, analisou a situação econômico-financeira do País, que considera muito positiva, e seus acertos, que impediram que o Brasil fosse contaminado pela crise, e hoje se tornasse referência de crescimento econômico no mundo.

Também falaram Armínio Fraga, sobre sua experiência no governo anterior; e alguns teóricos do “anarco-capitalismo”, como David Friedman (norteamericano), e Eduardo Marty (argentino), mencionado antes, além de Hélio Beltrão, Fundador do Instituto Mises Brasil, fundador do Conselho de Governança do Instituto Millenium, conselheiro do Grupo Ultra, e detentor de outros títulos e cargos.

Junto com o venezuelano Marcel Granier, Beltrão recebeu um prêmio destaque do IEE – Prêmio Libertas 2010. Dono de um discurso muito inflamado, mas sem fazer proposições concretas quanto às estratégias recomendadas contra o Governo, Beltrão parece considerar que todo o problema do mundo atual consiste em haver Governo e Estado. Não explicou, porém, o que propõe em troca. Já Granier, presidente da RCTV, que não teve renovado seu contrato de concessão pelo governo venezuelano, foi agraciado pelo Prêmio Liberdade de Imprensa 2010. Seu discurso foi um discurso moderado.

GEOECONOMIA

Em relação à política mundial, as maiores e mais inflamadas críticas se dirigiram aos governos “populistas” da América Latina, com muitas acusações contra Chávez, chamado de tirano e ditador e outros adjetivos assemelhados, e um pouco menos a Evo Morales.

Assim, os anos Pinochet no Chile foram criticados por seus desmandos no campo dos direitos humanos, mas foram elogiados pela abertura total de sua economia ao capital estrangeiro. Essa análise da economia chilena desde os anos Pinochet até hoje, foi abordada em linhas gerais por Eliodoro Matte Larrain, presidente das Empresas CMPC (produtora de celulose), diretor do Banco Bice e do Bice Corp e da Mineradora Valparaíso. A CMPC, para quem ainda não sabe, possui, 2,2 milhões de ha em pinheiros e eucaliptos no Chile e comprou recentemente a Unidade Guaíba da Aracruz/Fibria, no RS, município de Guaíba.

Na área acadêmica, destacou-se no evento, o professor espanhol Fernando Navarrete, que é também economista do Banco de Espanha. Navarrete discorreu sobre os anos de estagnação da Espanha franquista, e os erros cometidos pelo governo socialista que se seguiu, até que, nos últimos anos, fosse assumido o modelo neoliberal em sua plenitude, com privatizações generalizadas e abertura total do mercado, o que foi facilitado pela União Européia. Hoje, aplaude ele, a Espanha conquista espaços internacionais e investe em países estrangeiros, como é o caso do Brasil (Telefonica, banco Santander e outros empreendimentos).

No quarto painel, surpreendeu a jornalista a declaração de Arthur Badin (CADE) de que o petróleo brasileiro seria monopólio estatal, quando, – a partir do governo FHC, e os primeiros dos leilões da Petrobrás, – quase 60% de suas ações foram parar em mãos de petrolíferas estrangeiras, sendo que sua política econômica e de preços é determinada lá fora. Questionado posteriormente a esse respeito, Badin não contra-argumentou – parecia não se lembrar dos “contratos de risco” votados ao tempo de Ernesto Geisel, em 1974, mas só postos em prática do governo FHC em diante.

Do último painel, participaram o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Jorge Gerdau Johannpeter, e o ex-presidente venezuelano, Jorge Quiroga. Fernando Henrique fez um pronunciamento de linha histórico-sociológica, enfatizando a questão das liberdades democráticas, não apenas a liberdade individual, mas comentando que os maiores tiranos são os egressos das classes populares. Johannpeter também enfatizou a liberdade (mote título do Forum) e os 23 anos de existência do mesmo, tendo participado dele outras vezes, enquanto Quiroga fez um discurso muito empolgado, de linguagem direta a favor também do neoliberalismo e das liberdades individuais, e acusando com muita veemência os “governos populistas” da América Latina e sua política de estatizações.

Curiosamente, nada foi comentado sobre os governos neoliberais que atentam contra as liberdades democráticas, como a Colômbia, o Peru e o Chile, com suas práticas anti-indigenistas.

Também a questão ambiental não foi tocada durante o evento, uma vez que todos advogaram o crescimento econômico ilimitado.

AEROPORTOS PÚBLICOS

Numa linha um tanto diferenciada, falou o empresário brasileiro-norteamericano David Neeleman, proprietário de quatro empresas de aviação, Jet Blue Airways e Morris Air (norteamericanas), e Westjet (canadense). Agora ele investe no Brasil com a empresa Tudo Azul, que pretende inovar em matéria de qualidade de aviões e serviços. Neeleman mostrou posicionamentos diferenciados quanto a dois assuntos: sua surpresa ao saber que as empresas de aviação brasileiras compram aviões lá fora, quando “os aviões da Embraer, afirmou ele, são os melhores do mundo em matéria de segurança, conforto e operação. Comprei 15 e pretendo ir até a 90 aeronaves, se tiver condições de alargar o mercado”.

Outro tema que o distinguiu dos demais, foi sua afirmação de que os aeroportos comerciais devem ser sempre públicos. “Aeroportos não devem ter lucros, mas servirem às necessidades de transporte das pessoas. Aeroportos privados tendem a encarecer todos os serviços, os custeios das empresas e os preços das passagens. Há mais segurança para todos, empresas e passageiros, se o aeroporto for público”. Informou também que, nos Estados Unidos, a generalidade dos aeroportos é público, seja a nível federal, estadual ou municipal.

Neeleman ainda não teve, certamente, a oportunidade de ser informado a respeito de alguns objetivos do ministro da Defesa, Nelson Jobim, com relação ao assunto. Nem com respeito às pressões de algumas empreiteiras em ação em Porto Alegre[2], para semear espigões na zona Norte, interferindo com a segurança de vôo.

A opinião desse empresário, de tipo bastante jovial, é de que os aeroportos precisam ter grandes áreas de reserva para expansões futuras. Cercar fisicamente um aeroporto, diz ele, compromete o desenvolvimento econômico da região.

Palestrantes

Palestra inicial – Carlos Ghosn, presidente da Renault-Nissan

primeiro painel – capitalismo

Armínio Fraga – Conselho do Bovespa

Eliodoro Matte – presidente da CMPC chilena

Pedro Moreira Salles – presidente do Banco Itaú- private bank

segundo painel – socialismo

João Quartim de Moraes –fundador da VPR, fundador da revista Debate

Juan Fernando Carpio – diretor do Instituto para a Liberdade, em Quito

Rodrigo Constantino – colunista de O Globo, diretor do Instituto Liberal

terceiro painel – inflação

Ricardo Murphy – ministro de Defesa e Economia no governo argentino de LaRua

Stephen Kanitz - mestre de administração de empresas pela Harvard Univesity, Bovespa

Tom Woods – historiador, autor do best seller New York Times

segunda palestra especial – Henrique Meirelles

quarto painel – intervencionismo

Arhur Badin – CADE – presidente do conselho administrativo de Defesa Econômica

David Friedman – PhD em Física pela Univ. de Chicago. filho de Milton Friedman.

Eduardo Marty – fundador da Junior Achievement da Argentina

quinto painel

David Neeleman – empresário da aeronáutica

Fernando Navarrete – espanhol, economista do Banco de Espanha

Xingyan Feng – acadêmico chines; não conseguiu visto para viajar e foi substituído por Tom Palmer, que discorreu sobre a China hoje we seu caminho misto, capitalista e liberal com controle estatal.

sexto painel

Jorge Quiroga

Jorge Gerdau Johannpeter

Fernando Henrique Cardoso

Lançamentos de Índices durante o FL

Índice de Liberdade Econômica - versão em português. Parceria IEE/Instituto de Liberdade do Rio Grande do Sul/The Heritage Foundation/Wall Street Journal

Índice Internacional de Direitos da Propriedade (inter-relação do papel dos direitos de propriedade material e intelectual na comunidade global) – parceria Instituto Liberdade/IEE – projeto do Programa de Bolsas de Estudo Hermano de Soto, da Aliança de Direitos de Propriedade (ADP) – 115 países participam desse índice, somando 96% do PIB mundial.

Esse índice avalia três áreas: Ambiente Legal e Político, Direitos de Propriedade Físicos e Direitos de Propriedade Intelectual, e tem por objetivo desenvolver um indicador classificatório de países quanto a esse aspecto.

[1] escritora e jornalista de Porto Alegre, RS

[2] Arena do Grêmio no bairro Humaitá prevê prédios de 60m de altura onde só são permitidos 12m,a fim de preservar a segurança de vôo.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

XVIII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba (Programação)

AOS (AS) COMPANHEIROS (AS) DA JOSÉ MARTI/RS

Como militantes da ACJM do Rio Grande do Sul sabemos que a defesa da soberania cubana traz no seu conceito a luta pela soberania dos demais povos.E para aprofundarmos esse debate é que realizaremos a nossa XVIII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, nos próximos dias 4, 5 e 6 de junho, na Assembléia Legislativa do RS. ocasião em que também abordaremos, entre outras, a necessidade de projetos de mídia alternativa para garantir a efetiva promoção e reconhecimento da cidadania e dos governos legitimamente democráticos.

Para tanto deveremos pensar essa Convenção de forma qualificada e participativa, e termos a certeza de o empenho de cada um de nós poderá reforçar mais uma etapa da luta em prol da autodeterminação dos povos e em defesa dos direitos humanos.

Neste sentido fazemos um apelo a cada companheiro (a) para a venda dos bônus da solidariedade, visando a auxiliar nas despesas com hospedagem e alimentação de jovens dos estados que virão participar da XVIII Convenção. Também contamos com a solidariedade de todos que puderem disponibilizar hospedagem aos participantes, pois estamos com dificuldades para suprir essa demanda.

Nossos contatos são os seguintes: ACJM/RS-Tel.(51)3224.4953 ou e-mail acjmrs@gmail.com; Ainda com Cezira por meio do e-mail cezira78@yahoo.com.br – Cel. 92894003, Marajuara por email marajuarac@hotmail.com – Cel. 93246129 ou Vânia através do e-mail: vania.mattos@yahoo.com.br – Cel.(051)99156431.

Um abraço farterno!

Vânia M. Barbosa,

Presidente do Conselho Deliberativo da ACJM/RS.











quarta-feira, 31 de março de 2010

EM DEFESA DE CUBA SOCIALISTA


EM DEFESA DE CUBA SOCIALISTA

Vamos divulgar as ações do povo cubano em defesa de sua revolução!

Leia e divulgue o Blog: somostodospalestinos.blogspot.com

Os meios de desinformação dos países ocidentais, partidários do capitalismo selvagem, falam da dura repressão às “Damas de branco”. Vejamos os vídeos e comparemos os métodos repressivos em ambos sistemas.


Lições de direitos humanos para Cuba.

Repressão em Cuba: Mulheres Desarmadas. Este método sangrento de atuar por parte da tirania, constitui uma grave violação aos direitos humanos e à integridade física do pacífico manifestante mercenário e contra-revolucionário. Devem aprender esta outra modalidade de dissolver manifestações, indubitavelmente muito mais democrática e garantida, já que é sistematicamente aplicada pela (s) polícia (s) europeia (s).

http://www.youtube.com/watch?v=BHQvyifbRfw

2) A seguir, o exemplo da União Europeia

http://www.youtube.com/watch?v=QEUL8B8tADk

3) Prática de tortura

http://www.youtube.com/watch?v=Vr1iGB3grlM

Cubanos apoiam a Revolução ante provocação contra-revolucionária



Havana, 18 de Março (PL)

Habitantes de bairros da capital reafirmaram hoje o respaldo à Revolução Cubana e aos seus principais dirigentes, como resposta a uma nova provocação de grupelhos contra-revolucionários.


Desde o início da semana, as auto-denominadas Damas de Branco, estimuladas pela mais recente campanha anti-cubana proveniente de Washington e de países da Europa ocidental, vem tentando protagonizar ações desestabilizadoras nas igrejas e ruas da cidade.

A tática usada pelos provocadores foi o protesto contra as supostas violações dos direitos humanos e a falta de liberdade no país caribenho. As manifestações contaram com a presença de diplomatas norte-americanos e europeus. Não houveram incidentes nas manifestações.


Nesta quinta-feira, os integrantes do reduzido grupo contra-revolucionário percorreram as principais ruas dos municípios da Havana Velha e Centro.


Centenas de cidadãos reiteraram o apoio às autoridades cubanas frente a ação do grupelho, entre eles Gladys González, que lembrou como as autoridades policiais e do Ministério do Interior se preocupam com a segurança e protegem “para que nada aconteça aos manifestantes”.

Vários funcionários diplomáticos assistiram à nova atividade provocadora, entre eles Ingeman Cedeber, encarregado dos negócios da embaixada sueca, Volker Pellet, conselheiro da sede alemã e Lowell Dale Lawton, segundo secretário político-econômico da Seção de Interesses dos Estados Unidos em Cuba (SINA).


Lawton se negou a fazer declarações ao ser abordado pela Prensa Latina. O periódico buscava conhecer o porquê do interesse da SINA em participar deste tipo de ato.


Ao mesmo tempo, o auto-intitulado jornalista das Dama de Branco, respondeu que os representantes diplomáticos se encontravam ali “monitorando a situação”.


Damas de branco recebem resposta popular: Esta rua é de Fidel...!

http://www.youtube.com/watch?v=Flsj3-w7wjo

Funcionário dos EUA em ação contra-revolucionária em Cuba




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Dois diplomatas da Seção de Interesses dos Estados Unidos (SINA), em Havana, acompanharam um ato provocador contra-revolucionário. Os diplomatas são Lowell Dale Lawton, segundo secretário político da SINA, e Kathleen Duffy, assistente da área político-econômica dessa mesma instituição. Volker Pellet, conselheiro da Embaixada da Alemanha em Cuba, e Chris Stimpson, diplomata britânico, que oferecia declarações à imprensa internacional contra o governo cubano quando foi abordado por manifestantes, sendo protegido por policiais cubanos, também estiveram presentes.

Um funcionário da Seção de Interesses dos Estados Unidos (SINA), em Havana, participou hoje de um novo ato de provocação contra-revolucionária na capital.


Lowell Dale Lawton, segundo secretário político-econômico da SINA, assistiu a uma missa numa igreja no bairro de Párraga, junto com integrantes das auto-denominadas Damas de Branco. Ao finalizar a liturgia, saíram às ruas para protestar contra supostas violações de direitos humanos em Cuba.


O diplomata norte-americano misturou-se às manifestantes e percorreu todo o trajeto do ato provocador, que foi rechaçado de maneira espontânea por populares.


Na véspera, dois representantes das embaixadas da Alemanha e da República Checa participaram de um ato similar, em aberta colaboração com os grupelhos contra-revolucionários, organizados e financiados pelos Estados Unidos e algumas nações europeias.


A Prensa Latina constatou que as integrantes do grupo contra-revolucionário não foram arrastadas, e sim evacuadas para evitar incidentes violentos.


Estas ações de provocação em Cuba, com a presença de diplomatas norte-americanos e de países da Europa Ocidental, possuem lugar em meio a uma campanha de corporações midiáticas contra a Ilha. Esta campanha foi intensificada a partir de 10 de março, quando o Parlamento Europeu adotou uma resolução de condenação pelas supostas violações aos direitos humanos.


As multidões de homens e mulheres, de diferentes idades, que saíram às ruas, responderam com palavras de ordem e exclamações de apoio à Revolução e aos seus principais dirigentes.

Enérgica resposta popular em Cuba à provocação contra-revolucionária


Mercenários castristas. Não confundir com o povo cubano...

Havana, 16 de março (PL)


Uma nova provocação contra-revolucionária foi respondida hoje, nesta capital, com gritos de “Viva Fidel!”, “Abaixo aos vermes!” e “Esta rua é do povo!”.

Os grupelhos internos, alicerçados pela mais recente campanha anti-cubana, pretendem chamar a atenção para levar ao mundo a mensagem de que em Cuba se violam os direitos humanos e que não há liberdade.

"Isto já está cansando", comentava um colega de uma mídia estrangeira, habilitado em Havana, que disse sentir-se “cansado” de ver “tanto descaramento”.

Otoniel Díaz Trujillo, vizinho do bairro do Centro, definiu que a única coisa que defendem “é o dinheiro que mandam dos Estados Unidos todos os meses, porque vivem disso e ninguém ali trabalha”.

Integrantes das auto-denominadas Dama de Branco encabeçaram uma manifestação nas ruas de Havana, depois de sair de “uma missa” numa igreja na capital, na qual também estavam diplomatas estrangeiros.

A manifestação permaneceu uma interrogação para os transeuntes. Eles se perguntavam do que se tratava aquilo ou simplesmente ignoravam a manifestação, até o momento em que se sentiram lesionados em seu patriotismo.

Homens e mulheres, que a essa hora estavam em seus locais de trabalho, saíram para rechaçar a ofensa.

"Vocês são umas poucas. Nós somos milhões!", surgia uma voz entre a multidão. Ao mesmo tempo, começavam os hinos revolucionários.

Todavia, ambos funcionários das embaixadas da Alemanha e da República Checa asseguravam à Prensa Latina que somente participavam no ofício religioso. No entanto, pode-se confirmar que seguiram, à distância, todo o percurso da manifestação, do início ao fim.

Na semana passada, o Parlamento Europeu, num “consenso”, emitiu a absurda e hipócrita condenação contra Cuba, em matéria de direitos humanos, por conta da morte de um preso comum vinculado à contra-revolução interna.

Recentemente, o governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destinou outros 20 milhões de dólares para a subversão contra a nação antilhana.

A estratégia política de reverter o projeto social inciado pelo povo cubano em janeiro de 1959, cresce. Incomoda aos “amos” esse crescimento. Dessa maneira, mandam e estimulam, através de financiamento das atividades, as Damas de Branco e outras espécies de grupelhos...

Cubanos repudiam manifestação de grupelho contra-revolucionário

http://www.youtube.com/watch?v=ED_R3LEaASI

Notícias relacionadas


[Vídeo] Cuba: La calle es nuestra, es de la revolución han recordado hoy miles de habaneros a la gusanera

Solidariedade com Cuba! As Damas de Branco passam novamente pelas ruas de Havana sob a supervisão de diplomatas da SINA e da União Europeia. São estes estrangeiros que pagam as festas, as roupas e as flores.

Aumentam as hostilidades contra Cuba: Posições e declarações

Lohania Aruca Alonso ...Reclamo uma maior responsabilidade, aprofundamento na argumentação e a visibilidade de uma consciência política e patriótica que esteja a altura de nossa história...

Cuba, os presos e as damas de branco

Narciso Isa Conde| República Dominicana. Vem se desatando contra Cuba uma feroz campanha encadeada pelo poder midiático dos EUA e a UE. É inegável que os inimigos da revolução sabem manipular seus erros e as limitações estruturais.

Ante a hipocrisia criminosa do parlamento europeu: comparações entre Cuba e Colômbia... de presos políticos e torturas

Azalea Robles | Mentem dizendo que Zapata foi “brutalmente torturado”. Porém, talvez não saibam o que é “brutalmente torturado”. Diomedes Meneses foi brutalmente torturado pelo Estado colombiano: arrancaram seu olho...








segunda-feira, 22 de março de 2010

PCB - PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO: 88 ANOS DE LUTA


FESTA 88 ANOS PCB - QUINTA-FEIRA, 25/03/2010 AS 18:59, NA SEDE REGIONAL DO PCB, RUA JERÔNIMO COELHO, 281/201, CENTRO -PORTO ALEGRE/RS - FONE: 051 3062-4141 - E-MAIL: pcbrs@pcb.org.br

segunda-feira, 8 de março de 2010

Retrato da Estupidez Gaúcha


Quando realizamos a critica contra o gauchismo, muita gente se levanta para defender a cultura e a tradição do gaúcho. Se observarmos as suas raízes, seus conceitos, seus hábitos, a economia do Rio Grande do Sul e principalmente quando avaliamos a pecuária, o surgimento do latifúndio e da revolta farroupilha, enxergamos os verdadeiros interesses das oligarquias deste Estado. O traço conservador e raivoso dos viventes guascas, da intransigência dos fazendeiros ricos, sua arrogância acima da lei ou melhor eles são a lei. Essa postura de proprietário não só das terras mas das pessoas, cria um mau habito disfarçando a força e a truculência como se fosse um ato de bravura, de galhardia e de valentia. Essa é a demonstração de maior covardia, que se expande desde o machismo ao gesto mais reacionário e emblemático do Centros de Tradição Gaúcha - CTG, lugar onde os guascas condensam o sentimento arraigado pela propriedade, o horror aos pobres e todo o tipo de preconceito e o fazem invadir a cidade com um certo sentimento de Pátriotismo e, quem não participa e não concorda passa a sofrer todo o tipo de segregação. O machismo, discriminação racial e o ódio contra os homossexuais, campeiam mentes doentes dessa cultura inventada e atrelada ao latifúndio, modelo mais atrasado de produção capitalista.

A estrutura do CTG está baseada nesse modelo de produção, pois faz o aliciamento para essa pseudocultura na forma e semelhança ao mando do senhor de estância, vamos a ela: este clubinho de conservadores reacionários, usam cavalos, homens (peões), mulheres (prendas), cachorros, vaca, boi e outros bichos mais, como se todos estes fossem a mesma coisa. Toda alegria vivenciada no CTG, tem essa característica embrutecida, da tutela, da domesticação na pratica da doma e do bagaceirismo. Esta baixa moral e autoestima submete o povo do rio Grande do Sul a submissão e raiva contra a liberdade e a solidariedade. A estrutura desse clube da ignorância e da usurpação da história se constitui de Patrão, Capataz, Peões e Prendas. Somente os que obedecem ao latifundiário, ao estancieiro, ao dono da Fazenda.

Milton Ribeiro mostra com muita precisão a estupidez dessa tradição manca, em seu blog. Leia aqui o seu artigo, Retrato da Estupidez Gaúcha. Faz aparecer as garras dessa pseudocultura que acolhe todo o tipo de crueza e desprezo.

SPEROTO, RESPONDE PROCESSO POR DESVIO DE RECURSOS PUBLICOS.


Presidente da Farsul no Rio grande do sul

O senhor Carlos Speroto, presidente da Farsul, entidade dos fazendeiros do Rio Grande do Sul, conhecido defensor do modernismo dos transgênicos e da Monsanto, em anos recentes respondeu processo por homicídio em 1989, pelo assassinato a tiros de seu vizinho, também proprietário de terras, por litígio de cerca.

Agora, está respondendo processo no TCU, porque sua federação desviou recursos do SENAR (serviço
de aprendizagem rural) que se destinam apenas a formação de mão-de-obra no meio rural, para reformas na sede da federação. O desvio ascende a vários milhões de reais.

Conforme acórdão 134/2000, do Tribunal de Contas da União (TCU), os dirigentes do Senar / RS - entidade ligada a Farsul, terão que devolver ao Tesouro Nacional, acrescido de juros e multa, os valores correspondentes ao uso indevido de recursos dessa entidade. Na decisão do TCU, ficou comprovado que os Senhores Fernando Craidy (Ex-presidente do Conselho Deliberativo do Senar /RS) e Carlos Rivaci Sperotto não conseguiram justificar uma série de irregularidades.

Fonte:

deputado Bohn Gass
http://www.deputadobohngass.com.br/pt/noticias/News_Item.2004-07-15.2917

Processo número 2.716-84. Inquérito policial 123-80. Comarca de Santo Augusto, Vara Única

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

JÁ, RESISTÊNCIA E AGONIA: o jornal que ousou contar a verdade


Por Luiz Cláudio Cunha em 24/11/2009

A maior fraude com dinheiro público da história do Rio Grande do Sul carrega nos ombros o sobrenome ilustre de Germano Rigotto. O irmão do ex-governador gaúcho, Lindomar, brilha como o principal implicado entre as 22 pessoas e 11 empresas denunciadas pelo Ministério Público e arroladas na CPI da Assembléia gaúcha que investigou há 14 anos uma milionária falcatrua na construção de 11 subestações da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE). Foi uma tungada, em valores corrigidos, de aproximadamente 800 milhões de reais – quase 15 vezes o valor do mensalão do governo Lula, três vezes o valor dos desvios atribuídos ao clã Maluf em São Paulo, cerca de 20 vezes o valor apurado no escândalo do Detran que expôs a governadora gaúcha Yeda Crusius a um pedido de impeachment.

Esta história foi contada em detalhes, em 2001, por um pequeno jornal de Porto Alegre, com tiragem de apenas cinco mil exemplares numa capital com quase 1,5 milhão de habitantes – e está recontada, a partir desta semana, numa edição extra do que chega às bancas e no seu site.

O é um bravo mensário que sobrevive há 24 anos pela teimosa resistência de seu editor, Elmar Bones da Costa, nascido há 65 anos em Santana do Livramento, cidade gaúcha no limite com o Uruguai, de onde ele trouxe a rebeldia indomável do fronteiriço. Ao longo de 40 anos de carreira, Bones construiu com talento uma sólida e reconhecida biografia na imprensa nacional que passa pelas redações de Veja, Gazeta Mercantil, Jornal do Brasil, O Estado de S.Paulo, IstoÉ e Folha da Manhã.

Seu troféu mais lustroso, porém, é o CooJornal, um mensário editado pela extinta Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (1976-1983) nos duros anos de chumbo da ditadura. Era um jornal de reflexão sobre a imprensa e seus profissionais, que abria espaço para a memória e a história recente do país, contada por intelectuais de peso e cores que não tinham lugar na imprensa tradicional. Em 1980, ainda em plena ditadura, Bones publicou um documento sigiloso do Exército em que os generais faziam uma dura autocrítica à atuação de suas tropas na repressão às guerrilhas do Vale da Ribeira e do Araguaia. Os militares não gostaram e ele, junto com três colegas do CooJornal, foi condenado a 18 meses de prisão. Gramou 15 dias de cadeia e foi libertado com sursis.

Duas mortes

A mesma intolerância dos generais da ditadura recrudesceu, depois, com os Rigotto da democracia. A família sentiu-se ultrajada pela primeira página da edição 287 de maio de 2001 do , que anunciava: "O Caso Rigotto – Um golpe de US$ 65 milhões e duas mortes não esclarecidas". Três meses depois, a matriarca da família, Julieta Vargas Rigotto, mãe de Lindomar e de Germano, entrou na Justiça com duas ações. Uma pelo Código Penal contra o jornalista que assina a reportagem, Elmar Bones, acusado de calúnia e difamação. Outra pela Lei de Imprensa contra a editora do , pedindo indenização por dano moral.

Nos dois anos seguintes, Bones ganhou todas as ações contra ele, em todas as instâncias, e o processo foi arquivado. Mas, em dezembro de 2003, a Vara Cível do Tribunal de Justiça condenou o ao pagamento de uma indenização que hoje alcança 54 mil reais, penhorando seus bens para cumprir a decisão. Desde agosto de 2009 um perito da Justiça vasculha mensalmente as conta do jornal para bloquear 20% de sua receita bruta. Assim, estranhamente, uma mesma reportagem gerou na Justiça duas sentenças díspares, contraditórias: uma absolvendo por unanimidade, outra condenando.

O pequeno mensário, que já teve 22 jornalistas e uma dezena de estagiários e colaboradores na Redação de uma ampla casa alugada no bairro do Bonfim, hoje está reduzido a Bones e sua companheira, Patrícia Marini, também jornalista, uma estagiária, uma secretária, dois computadores, um telefone e uma dezena de contas atrasadas, acuados em duas salas pequenas do antigo prédio na avenida Borges de Medeiros, no centro da cidade, onde funciona a Associação Riograndense de Imprensa (ARI), que até hoje não se manifestou sobre o caso Rigotto vs. . Assim, a ação de 54 mil reais de uma veneranda mãe que se diz injuriada está asfixiando, aos poucos, um destemido jornal nanico que ousou contar a verdade sobre uma quadrilha, identificada pela CPI e pelo Ministério Público, que roubou 800 milhões de reais do povo gaúcho. Dona Julieta Rigotto, aos 88 anos de vida, está matando um jornal alternativo que ainda não atingiu seus tenros 25 anos de existência. E tudo disso com o aval da Justiça.

A pequena editora de Bones, além das 396 edições do , publica uma revista mensal e quatro guias de bairro e ostenta 35 títulos de livros publicados. Ganhou oito prêmios ARI, o mais importante do Rio Grande do Sul, e em 2004, superando os grandes jornais e revistas do centro do país, faturou a categoria principal do maior prêmio do jornalismo brasileiro, o Esso, com "A tragédia de Felipe Klein" – um texto dramático, arrebatador do repórter Renan Antunes de Oliveira sobre a vida e morte de um jovem e atormentado suicida de Porto Alegre.

A reportagem de quatro páginas de 2001 que tanto incomodou os Rigotto é outra vencedora: conquistou o prêmio daquele ano da hoje silente ARI e o valioso Prêmio Esso Regional, carimbo de sua qualidade e relevância jornalística. A cirúrgica manchete do jornal – "O Caso Rigotto – Um golpe de US$ 65 milhões e duas mortes não esclarecidas" – expressava a mais pura verdade. O golpe era aquele destrinchado na CPI da CEEE.

Alta voltagem

A primeira morte era de uma garota de programa, Andréa Viviane Catarina, 24 anos, conhecida nas boates da capital como "Amanda". No fim da tarde de 29 de setembro de 1998, ela despencou, nua, do 14º andar do Solar Meridien, um prédio na rua Duque de Caxias, no centro de Porto Alegre, a duas quadras do palácio que Germano Rigotto ocuparia cinco anos mais tarde.

O dono do apartamento de onde caiu Andréa era o irmão do futuro governador, Lindomar Rigotto, que estava em casa na hora do incidente. À polícia ele contou que a garota tinha bebido uísque e ingerido cocaína. Os exames de laboratório não encontraram vestígios de álcool ou droga no sangue da jovem. A autópsia indicou que a vítima apresentava três lesões – duas nas costas, uma no rosto – sem ligação com a queda, indicando que ela estava ferida antes de cair. Três meses depois, Rigotto foi denunciado à Justiça por homicídio culposo e omissão de socorro. No relatório, o delegado Cláudio Barbedo cita o depoimento de uma testemunha descrevendo o réu como "usuário e traficante de cocaína".

A segunda morte, 142 dias depois, era a do próprio Lindomar Rigotto. Então dono da boate Ibiza, na praia de Atlântida, a casa mais badalada do litoral gaúcho, ele fechava o balanço do último baile do Carnaval de 1999, que animou sete mil foliões até o amanhecer daquela Quarta-Feira de Cinzas, 17 de fevereiro. Cinco homens armados irromperam ali, no momento em que Rigotto e seu gerente contavam a renda. Os ladrões botaram o dinheiro numa sacola e fugiram, cantando pneu. Rigotto saiu em perseguição no seu Gol branco e levou um tiro acima do olho. Morreu a caminho do hospital, aos 47 anos. A bala fatal acabou arquivando o processo pela morte da garota, mas reavivou o mistério em torno da fraude milionária da CEEE.

Afundada em dívidas de quase 1,8 bilhão de dólares, a estatal gaúcha de energia encontrava dificuldades para conseguir os 142 milhões de dólares necessários para as subestações que iriam gerar 500 mil quilowatts para 51 pequenas e médias cidades do Rio Grande. O então governador Pedro Simon, preocupado com a situação pré-falimentar da empresa, tinha ordenado austeridade total. Até que, em março de 1987, criou-se o cargo de "assistente da diretoria financeira" para acomodar Lindomar Rigotto. "Era um pleito político da base do PMDB em Caxias do Sul", confessou na CPI o secretário de Minas e Energia da época, Alcides Saldanha. O líder do governo Simon na Assembléia e chefe da base serrana era o deputado caxiense Germano Rigotto.

Treze pessoas ouvidas pela CPI apontaram Lindomar como "o verdadeiro gerente das negociações" com os dois consórcios, agilizando em apenas oito dias a burocracia que se arrastava havia meses. Os contratos nº 1.000 e nº 1.001 foram assinados em dezembro numa solenidade festiva no Palácio Piratini pelo governador e pelo secretário. Logo após a assinatura, pagamentos foram antecipados, contrariando as normas explícitas baixadas por Simon para vigiar de perto as contas da estatal.

Eram documentos de alta voltagem financeira de uma estatal quase falida. Tanto que a CEEE teve que recorrer três meses depois a um empréstimo de 50 milhões de dólares do Banco do Brasil, dinheiro captado por sua agência no paraíso fiscal de Nassau, nas ilhas Bahamas. Apesar da importância em dinheiro, o presidente da estatal, Osvaldo Baumgarten, e o secretário de Minas e Energia confessaram candidamente na CPI que não leram a papelada que assinaram. "Eu não tinha condições de ler todos os contratos firmados pela CEEE", defendeu-se Alcides Saldanha, mais tarde ministro dos Transportes do governo Fernando Henrique Cardoso.

Uma investigação da área técnica da CEEE percebeu que havia problemas na papelada – documentos adulterados, folhas numeradas a lápis, licitação sem laudo técnico provando a necessidade da obra. Em fins de 1989, Rigotto decidiu sair para cuidar da "iniciativa privada", dividindo o controle com o irmão Julius do Ibiza Club, uma rede de quatro casas noturnas no Rio Grande e Santa Catarina. A sindicância interna na CEEE recomendou a revisão dos contratos, mas nada foi feito.

Conluio e papelão

A recomendação chegou ao governo seguinte, o de Alceu Collares (PDT) e à sucessora de Saldanha na secretaria de Minas e Energia, chamada Dilma Rousseff. Ela ficou eletrificada com o que leu: "Eu nunca tinha visto nada igual", diria Dilma, pouco depois de botar o dedo na tomada e pedir uma nova investigação. Ela não falou mais no assunto porque, em nome da santa governabilidade, o PDT de Collares precisava dos votos do PMDB de Rigotto para aprovar seus pleitos na Assembléia. Mesmo assim, antes de deixar a secretaria, em dezembro de 1994, Dilma Rousseff teve o cuidado de encaminhar o resultado da sindicância para a Contadoria e Auditoria Geral do Estado (CAGE), que passou a rastrear as fagulhas da CEEE com auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Ministério Público.

O tamanho apurado da fraude tinha níveis de tensão diferentes em reais ou dólares, mas dava o mesmo choque: 65 milhões de dólares segundo a CAGE, ou 78,9 milhões de reais de acordo com o Ministério Público.

O deputado Vieira da Cunha, hoje líder da bancada do PDT na Câmara Federal, propôs em 1995 a CPI que jogaria mais luzes sobre a fraude na CEEE. Vinte e cinco auditores quebraram sigilos bancários, fiscais e patrimoniais dos envolvidos. Em 13 depoimentos, Lindomar Rigotto foi apontado como a figura central do esquema, acusação reforçada pelo chefe dele na CEEE, o diretor-financeiro Silvino Marcon. A CPI constatou que os vencedores, gerenciados por Rigotto, apresentaram propostas "em combinação e, talvez, até ao mesmo tempo e pelas mesmas pessoas". Os dois consórcios apresentaram propostas para dois subconjuntos, B1 e B2.

O de Elmar Bones lembrou:

"Apurados os vencedores, constatou-se que o consórcio Sulino venceu todas as subestações do grupo B2 e nenhuma do B1. Em compensação, o Conesul venceu todas as obras do B1 e nenhum do B2. A diferença entre as propostas dos dois consórcios é de apenas 1,4%".

A CPI foi ainda mais chocante:

"É forçoso concluir pela existência de conluio entre as empresas interessadas que, se organizando através de consórcios, acertaram a divisão das obras entre si, fraudando dessa forma a licitação".

A quebra de sigilo bancário de Rigotto revelou em sua conta um crédito de 1,170 milhão de reais, de fonte não esclarecida. O diretor Silvino Marcon justificou à CPI os 156 mil reais encontrados em sua conta particular como sendo "sobras da campanha de 1986".

O relatório final da CPI caiu nas mãos de outro caxiense, que não poupou ninguém, apesar do parentesco. O petista Pepe Vargas, que foi prefeito de Caxias e hoje é deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores, é primo de Lindomar e Germano Vargas Rigotto. "De tudo o que se apurou, tem-se como comprovada a prática de corrupção passiva e enriquecimento ilícito de Lindomar Vargas Rigotto", escreveu o primo Pepe no relatório final.

Pela primeira vez, entre as 139 CPIs criadas no estado do Rio Grande do Sul desde 1947, eram apontados os corruptos e os corruptores. Além de Lindomar Rigotto e outras 12 pessoas, a Assembléia Legislativa gaúcha aprovou o indiciamento pela CPI de 11 empresas, sem poupar nomes poderosos como os da Alstom, Camargo Corrêa, Brown Boveri, Coemsa, Sultepa e Lorenzetti. As 260 caixas de papelão da CPI foram remetidas no final de 1996 ao Ministério Público, transformando-se no processo n° 011960058232 da 2ª Vara Cível da Fazenda Pública em Porto Alegre. Os autos somam 30 volumes e 80 anexos e envolvem 41 réus – 12 empresas e 29 pessoas físicas. E tudo isso corre em segredo de Justiça.

Coisa de mãe

Essa história incrível, contada sem peias pelo jornal nanico de Elmar Bones, parece também um segredo de imprensa. Nenhum dos grandes veículos de comunicação do Rio Grande do Sul recontou o caso, o mais vultoso entre os 200 processos abertos pelo Ministério Público nos últimos 15 anos. Menos atenção ainda provocaram as duras reações judiciais da família Rigotto, que podem matar o único jornal que se atreveu a jogar luz sobre a milionária treva financeira que se abateu sobre a CEEE.

O ex-governador Germano Rigotto costuma apregoar aos amigos suas boas relações com os dois maiores grupos de mídia do Rio Grande – a Caldas Júnior (jornal Correio do Povo, rádio Guaíba e Rede Record) e a RBS (jornal Zero Hora, rádio Gaúcha e rede RBS, retransmissora da Globo). Isso não impediu, porém, que a brava Julieta Vargas Rigotto processasse a TV-COM, o canal comunitário da RBS, por ter classificado a morte do filho Lindomar na praia como "queima de arquivo". Ela ganhou na Justiça, em 2003, o direito de receber 150 salários mínimos, com juros, pela ofensa que remetia o fim violento do filho à morte da garota e aos curtos-circuitos contábeis da CEEE.

Quando perguntado diretamente sobre o absurdo dessa situação, o ex-governador Germano Rigotto refugia-se na saia materna: "Não tenho nada a ver com isso. É coisa da minha mãe", manda dizer o irmão do réu central da maior fraude da história gaúcha, escapulindo da responsabilidade de um caso de marcantes implicações políticas, não filiais.

Diante da primeira ação de dona Julieta na Justiça, o promotor Ubaldo Alexandre Licks Flores rebateu o pedido de processo, em novembro de 2002:

"[não houve] qualquer intenção de ofensa à honra do falecido Lindomar Rigotto. Por outro lado é indiscutível que os três temas [a CEEE e as duas mortes] estavam e ainda estão impregnados de interesse público".

Duas semanas depois, a juíza Isabel de Borba Luca, da 9ª Vara Criminal de Porto Alegre, deu a sentença que absolvia Bones:

"(...) analisando os três tópicos da reportagem conclui-se pela inexistência de dolo (...) em nenhum momento tem por intenção ofender (...) não se afastou da linha narrativa (...) teve por finalidade o interesse público".

Em agosto do ano seguinte, por unanimidade dos sete votos, os desembargadores do Tribunal de Justiça negaram o recurso da bravíssima dona Julieta. E o caso foi encerrado na área criminal.

Andou e prosperou, porém, na área cível. Em dezembro de 2003, o relatório do desembargador Luiz Ary Vessini de Lima transbordava emoção:

"Não há como afastar a responsabilidade da ré pelas matérias veiculadas, que atingiram negativamente a memória do falecido, o que certamente causou tristeza, angústia e sofrimento à mãe do mesmo (...)".

E assim acabou condenado o e seu editor, que recorda ao Observatório da Imprensa a falta de simetria do processo atual e da cadeia que levou pela publicação de documentos da repressão antiguerrilha.

Fala Elmar Bones:

"A sentença que nos condenou, agora, é uma piada. O processo de 1980 era um absurdo só explicável num regime ditatorial. Os ditos `documentos sigilosos´ eram relatórios de campo sobre ações do Exército no combate à guerrilha, narrando fatos ocorridos já havia mais de dez anos e que só tinham importância porque, na época em que se deram, a censura não permitiu que fossem noticiados. Essa ação de agora é mais absurdo ainda porque estamos em pleno regime democrático e a Justiça não conseguiu apontar nenhum erro ou inverdade na reportagem sobre o assassinato de Lindomar Rigotto. Nosso objetivo com ela era mostrar que Lindomar, assassinado em circunstâncias duvidosas, era o principal implicado em dois outros crimes não esclarecidos – a morte de uma prostituta e o desfalque na CEEE, o maior já ocorrido no Sul e que está encoberto pelo segredo de Justiça. Há 14 anos foram apontados os corruptores e os corruptos e até agora ninguém foi punido. Só o está pagando o pato."

Voltar ou morrer

Na terça-feira (24/11) em que se divulga a edição nº 565 deste Observatório completam-se 116 dias de censura sobre o jornal O Estado de S.Paulo, impedido por decisão de um juiz amigo e camarada do senador José Sarney de publicar os dados oficiais da "Operação Boi Barrica", da Polícia Federal, que investigou seu filho, o empresário Fernando Sarney, flagrado em grampos telefônicos e conversas que induzem ao tráfico de influência no setor público. "Não tenho nada a ver com isso. É coisa do meu filho", diz o presidente do Senado Federal.

Na mesma terça-feira completam-se 112 dias que um perito da Justiça devassa, lá dentro da Redação, as contas do jornal para garantir a indenização de dona Julieta Rigotto, que se diz caluniada pela mera repetição de detalhes escabrosos na gestão do dinheiro público de uma estatal gaúcha, sob responsabilidade de seu finado filho, Lindomar, revelados numa CPI e acolhidos pelo Ministério Público. "Não tenho nada a ver com isso. É coisa da minha mãe", diz o ex-governador Germano Rigotto, virtual candidato do PMDB ao Senado em 2010.

Assim, sujeitos ocultos de ações legais de mães e filhos que ferem a liberdade de expressão e afrontam a verdade, o ex-governador Rigotto e o senador Sarney imaginam furtar-se de suas responsabilidades políticas e éticas. No caso do Estadão, rijo e forte aos 134 anos de vida, não se teme por sua saúde e sobrevivência, já que tem os meios para derrubar, cedo ou tarde, a restrição absurda que se abate sobre ele. Quanto ao , jornal nanico de Porto Alegre, o caso inspira cuidados e graves temores sobre suas reais chances de sobrevida. O único alento, até agora, é o fato de que o recurso do ao Supremo Tribunal Federal caiu nas mãos do implacável ministro Joaquim Barbosa, um juiz que dá esperança e fôlego até aos moribundos desenganados pela ciência e pela lei dos homens.

Elmar Bones revela seu desalento no título do editorial ("Voltaremos. Ou não?") da edição extra do que desembarca esta semana nas bancas com a foto de um mascarado de terno e gravata e uma manchete acabrunhante na primeira página: "O RIO GRANDE CORRUPTO. Escândalos sucessivos abalam o mito do `Estado mais politizado do Brasil´".

Bones adverte no editorial de tom sombrio:

"Pela primeira vez em quase 25 anos, não podemos garantir aos leitores que o jornal voltará a circular. (...) Um pequeno jornal condenado por `dano moral´ numa ação movida pela família de um político influente, ex-governador do Estado, num mercado em que as maiores agências de publicidade têm contas do governo. (...) Quanto perdemos no mercado publicitário? (...) Voltaremos! Ou não?"

Ninguém sabe ainda responder. Se o não voltar, não será mais um jornal a morrer, diante do silêncio inexplicável de alguns, da omissão de muitos, da complacência de todos nós. A morte iminente de um jornal como o – somado ao desalento de um jornalista como Elmar Bones – é um fundo golpe nas convicções de todos que acreditam nos fundamentos da democracia, da justiça, da verdade e de uma imprensa livre. A limpa folha corrida do jornal de Porto Alegre e a digna biografia de resistência de seu editor não merecem ser comparados com o prontuário de alguns dos homens públicos que hoje nos representam, julgam e governam.

Em qualquer país sério do mundo, o clamor da sociedade se levantaria já, agora, imediatamente, em defesa de um pequeno jornal, punido apenas por ser correto, preciso, exemplar e corajoso. A inacreditável saga de resistência de Elmar Bones, que precisa fazer agora na democracia o que antes fazia na ditadura, mostra que perdemos algo intangível, irremediável neste rito de passagem. Perdemos a vergonha na cara.

Precisamos decidir se morreremos juntos com o . Ou se voltaremos com ele. Agora. Já.