"Hay hombres que luchan un dia y son buenos
Hay otros que luchan um año y son mejores
Hay quienes luchan muchos años y son muy buenos
Pero hay los que luchan toda la vida
Esos son los imprescindibles"
(Bertolt Brecht)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A maldição conservadora e a invenção do guasca

http://diariogauche.blogspot.com/2011/09/maldicao-conservadora-e-invencao-do.html

Antes de entrar no tema que quero comentar, chamo a atenção para o “Desfile Cívico-Militar do Vinte de Setembro” (conforme consta da programação dos seus organizadores, os dirigentes do MTG – Movimento Tradicionalista Gaúcho) que está se desenrolando hoje, precisamente 20 de setembro de 2011. 

Quero sublinhar a ênfase na expressão “cívico-militar” dado pelo MTG, em pleno século 21. Me explico. Ninguém desconhece a filiação positivista-comtiana dos republicanos brasileiros, na segunda metade do século 19. No Rio Grande do Sul, onde a República aconteceu depois de uma revolução cruenta que durou de 1893 a 1895, os positivistas foram mais radicais e, por isso, mais exitosos do que no resto do Brasil. Julio de Castilhos e os militantes do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) modificaram completamente o cenário político e social do estado mais meridional do País. No RS não houve a chamada troca de placa: sai a Monarquia dos Bragança, entra a República constitucional. Aqui, houve a mais completa e absoluta troca da elite no poder. Saem os velhos estancieiros pecuaristas da Campanha, entra uma composição de classes formada por uma pequena burguesia urbana, uma classe média rural, profissionais liberais e colonos de origem europeia da região serrana.

Os positivistas sulinos, fiéis aos ensinamentos dogmáticos de Auguste Comte, propugnavam – como o mestre – pela superação das fases pregressas da Humanidade. À fase militar-feudal deve seguir-se a fase industrial da Humanidade. Ou seja, à fase militar corresponderia a insurreição farroupilha de 1835-45 contra o Império do Brasil, agora – com o advento republicano – estávamos, pois, na hora de criar condições para o desenvolvimento e o progresso material que se daria por um processo intensivo de industrialização manufatureira. 
    
Vejam, pois, que os tradicionalistas do século 21 continuam com os olhos fixos num passado praticamente feudal, marcadamente militarista, embora não tenhamos experimentado, de forma hegemônica e total, esse modo de produção pré-capitalista no Brasil.  

Um dos formuladores intelectuais do que chamamos de ordem delirante do atraso – o pensamento tradicionalista da estância – foi Ramiro Frota Barcellos. Na obra “Rio Grande, tradição e cultura” (1915), o santiaguense é de uma clareza solar quanto aos propósitos enfermiços do tradicionalismo estancieiro: “O que agora se verifica, mercê do atual movimento tradicionalista, é a transposição simbólica dos remanescentes dos ‘grupos locais’, com suas estâncias e seus galpões para o coração das cidades. Transposição simbólica, mas que fará sobreviver, na mais singular aculturação de todos os tempos, o Rio Grande latifundiário e pecuarista”.

Qualquer semelhança com o enclave da bombacha e da fumaça que anualmente acampa, no mês de Setembro, no Parque da Harmonia, em plena área central de Porto Alegre, não é mera coincidência. A “mais singular aculturação de todos os tempos”, como premonitoriamente afirma Barcellos. Neste caso, “aculturação” é sinônimo de regressismo e estagnação.

É sobre isso que eu quero comentar brevemente.

Quando estudantes em São Paulo, Júlio de Castilhos e Assis Brasil chegaram a fundar um chamado “Clube 20 de Setembro”, que promoveu estudos – com algumas publicações - sobre o movimento farroupilha da primeira metade do século 19. Curiosamente, Castilhos abandonou as pesquisas sobre a guerra civil que varreu o Rio Grande por dez longos anos. Assis, em 1882, publicou a obra “História da República Rio-Grandense”. Por algum motivo, carente de melhores investigações, tanto os positivistas do PRR, quanto os liberais sulinos não foram muito enfáticos no culto farrapo. Tal fenômeno veio a ocorrer somente depois da Segunda Guerra, em Porto Alegre, no meio estudantil secundarista urbano do Colégio Estadual Julio de Castilhos. Daí se difundiu como rastilho de pólvora sob a forma dos onipresentes Centro de Tradição Gaúcho – CTG, que são clubes de convivência social onde se cultua o passado sob a forma fixa da mitologia farrapa, tendo como matriz formal a estética e o ethos do latifúndio da pecuária extensiva de exportação – subordinado à cadeia mercantil dos interesses hegemônicos ingleses na América do Sul. Quando os tradicionalistas se ufanam do pretensioso espírito autônomo e emancipado do chamado 'gaúcho' tout court, se referem ao Império dos Bragança, mas esquecem a dependência econômica e subordinação negocial estrita com os interesses ingleses, via portos de escoamento no Prata (Montevideo e Buenos Aires). 

[Das relevantes realizações modernizantes do castilhismo-borgismo foram a estatização e incremento do porto de Rio Grande, bem como a encampação das ferrovias controladas por capitais europeus, de forma a dotar o estado de infraestrutura e fomentar o desenvolvimento, sem depender do Rio ou do Prata.]   

A grande data a comemorar no Rio Grande do Sul, pelo lado do senso comum, é o 20 de Setembro, que marca o início da insurreição farroupilha (é um equívoco chamá-la de “revolução”, uma vez que os rebeldes foram derrotados pelo Império e não ocorreu nenhuma modificação política, social ou econômica na província sulina depois de 1º de março de 1845, na chamada Paz de Ponche Verde). No entanto, se houve revolução no sentido rigoroso e clássico do termo, esta ocorreu a partir da promulgação da Constituição Rio-Grandense, e da posse do governador (então, presidente do Estado) Julio de Castilhos, no dia 14 de julho de 1891. Meses depois, os conservadores e latifundiários alijados do poder, eternos aliados e sustentáculos da Monarquia, deram início à luta armada contra os jovens que governavam o Rio Grande (Castilhos tinha 30 anos quando assume a presidência do estado). A partir da revolução cruenta, se inicia um processo de grandes modificações e modernizações no RS. Em 1902, já com Borges de Medeiros no poder, depois da morte precoce de Castilhos, o estado passou a tributar com impostos progressivos as terras privadas, bem como reaver dos estancieiros as imensas glebas públicas apropriadas ilegalmente durante todo o século 19.
    
A hegemonia política do castilhismo-borgismo perdura até a década de 1930. Getúlio Vargas foi presidente do estado de 1928 a 1930, quando sai para o Catete, e já deixa um governo mais conciliador com os conservadores da Campanha.

É intrigante, pois, que a apropriação do imaginário social tenha se dado pelo lado dos conservadores, através do simbolismo inventado do 20 de Setembro, e não pelas forças burguesas, progressistas e renovadoras do Rio Grande do Sul, que seria pelo 14 de Julho.
                  
Eric Hobsbawn e Terence Ranger que estudaram o fenômeno da chamada “invenção das tradições” suspeitam que quando ocorrem mudanças sociais muito bruscas e profundas, produzindo novos padrões com os quais essas tradições são incompatíveis, inventam-se novas tradições e novos imaginários de identidade social e cultural. Para os dois autores britânicos, a teoria da modernização pode sim conceber que as mudanças operadas pela infraestrutura da sociedade demandem tradições inventadas no plano da superestrutura.

Neste sentido, a revolução burguesa positivista-castilhista de inspiração saint-simoniana, introdutora do Estado-Providência, mobilizou somente as instâncias da infraestrutura (base material e econômica), deixando uma vasta lacuna, um boqueirão ideológico, diríamos, na esfera da superestrutura. 

Assim, teria restado um formidável vácuo em distintos setores da vida social e no espírito dos indivíduos, como nas artes, no pensamento político, no Direito, na identidade, nas subjetividades individuais e de grupos, na cultura e no imaginário como um todo. O homem é, antes de tudo, um animal simbólico, e este domínio da razão e da cultura foi deixado vago, motivado, talvez, pelas duras urgências da vida real, mas também – suspeito eu – pelo próprio autoritarismo do poder estendido do castilhismo-borgismo.

O tradicionalismo seria, assim, um desagravo mítico-ideológico dos derrotados de 1893/95, os mesmos derrotados de Ponche Verde. Uma vingança de classe – a do latifúndio subalterno e associado – contra a modernização burguesa do positivismo pampeiro, seria isso? Uma maldição contra o futuro do Rio Grande? “Vocês estarão condenados a viver no passado, em meio à fumaça e o cheiro de esterco, festejando derrotas, e considerando heróico, cavalgando durezas e incomodidades, e considerando genuíno, fruindo uma arte primária e mambembe, e considerando autêntico, cultuando velhos ressentimentos e considerando lúcido, ignorando o rico mosaico cultural da província e considerando o tradicionalismo de matriz latifundiária como a síntese de tudo. Vocês são os gaúchos, velhos vagabundos redimidos, são os heróis de um passado que nunca existiu” – foi a sentença de fogo dos que trouxeram o tradicionalismo como vanguarda do atraso no pensamento guasca.              
Redator: Cristóvão Feil - Data: 20.9.11

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A Guerra dos Farrapos e seus Lanceiros Negros Traídos

HEMERSON FERREIRA
Professor de História - hemersonfer@bol.com.br

Um breve resumo de como os Farroupilhas sulistas recrutaram e depois descartaram seus soldados negros


Durante a chamada Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul (1835-45), quando um homem livre era chamado a servir tanto nas forças rebeldes quanto nas imperiais, podia enviar em seu lugar (ou no lugar de um filho seu) um de seus trabalhadores escravizados. Em alguns casos, o alforriavam e alistavam. Também foi prática comum buscar atrair ou tomar cativos das tropas inimigas, trazendo-os para seu lado. O primeiro exército a utilizar negros escravizados como soldados foram os imperiais. Precisando também formar uma infantaria e sobretudo preferindo enviá-los como bucha-de-canhão, morrendo na frente em seu lugar, farrapos também os alistaram: eram os famosos Lanceiros Negros. Ambos, farrapos ou imperiais, prometiam também liberdade aqueles que desertassem das tropas rivais, mudando de lado.

A maioria dos cativos que combateu nesta guerra foi obrigada a fazê-lo diante das condições impostas. Por outro lado, apesar da guerra ser horrível e violenta, era até preferível a vida militar, com seus esporádicos combates, do que as agruras diárias da escravidão. A promessa de liberdade após o fim da luta certamente pode ter influenciado em muito o recrutamento daqueles homens. Uma promessa, aliás e como veremos, jamais cumprida.

Não havia igualdade nas tropas farroupilhas, muito menos democracia racial. Negros e brancos marchavam, comiam, dormiam, lutavam e morriam separadamente. Os oficiais dos combatentes negros eram brancos, e jamais um negro chegou a um posto significante, mesmo que intermediário, de comando. Aos Lanceiros Negros era vedado o uso de espadas e armas de fogo de grande porte. Não lutavam a cavalo, como costumam mostrar nos filmes e mini-séries de TV, mas sim a pé, pois havia o risco de se rebelar ou fugir. Sua arma principal era a grande lança de madeira que lhes deu nome e fama, algumas facas, facões, pequenas garruchas, os pés descalços, a bravura e o anseio pela liberdade prometida.

Seria anacronismo se quiséssemos que líderes farroupilhas tivessem um comportamento ou posições políticas avançadas e assim diferentes das existentes em seu tempo, mas defesa da Abolição da escravidão era bem conhecida e nada alienígena na época. Uma Abolição começou a ser decretada em Portugal em 1767, proibindo que fossem enviados para o reino mais cativos vindos da África, e em 1773 foi decretada uma Lei do Ventre Livre naquele país. Na Dinamarca, isso se deu em 1792. Na França, em 1794 (ainda que Napoleão tenha tentado restabelecer a escravidão no Haiti em 1802). No México, uma primeira tentativa de Abolição foi feita em 1810, mas foi finalmente vitoriosa em 1829. Bolívar libertou cativos em 1816-7, durante suas lutas por independência, e finalmente aboliu a escravatura em 1821. A Inglaterra, que havia findado a escravidão pouco antes da Revolta dos Farrapos, pressionava o Brasil pelo fim do tráfico negreiro desde 1808. Willian Wilbeforce, um dos maiores abolicionistas da história, morreu em 1833, ou seja, dois anos antes da guerra no Sul do Brasil. Farrapos, portanto, conheciam, sim, e muito bem o abolicionismo.

Entretanto,os principais chefes farrapos, Bento Gonçalves, Canabarro, Gomes Jardim e até Netto, dentre outros, eram todos ferrenhos escravistas. Quando aprisionado e enviado para a Corte no Rio de Janeiro, Bento Gonçalves teve o direito de levar consigo um de seus cativos para lhe servir. Ao morrer, o mais conhecido líder farroupilha deixou terras, gado e quase cinqüenta trabalhadores escravizados de herança aos seus familiares. Bem diferente do que fizera Artigas no Uruguai anos antes, os farrapos jamais propuseram uma reforma agrária ou mesmo uma distribuição de terras entre seus soldados, mesmo os brancos pobres, que dirá os negros. A defesa da escravidão era tão clara entre os chefes farrapos a ponto deles jamais sequer terem mencionado o fim do tráfico negreiro.

Ao fim da guerra e já quase totalmente derrotados, os farrapos incluíram entre suas exigências para o Império o cumprimento da promessa de liberdade que haviam feitos aos Lanceiros (principalmente porque temiam que eles formassem uma guerrilha negra na província já que a quebra da promessa os faria se rebelar ou fugir para o Uruguai, destino comum de diversos cativos fugitivos na época). Queriam entregar-se ao Império, acabar a guerra, voltar à normalidade, mas tinham os Lanceiros e a promessa que lhes haviam feito, e o Império, escravista até a medula, não queria cumprir essa parte do acordo.

Que fazer então? A questão foi resolvida na madrugada de 14 de novembro de 1844, quando o general farrapo David Canabarro entregou seus Lanceiros desarmados ao inimigo, tudo previamente combinado com Caxias. E no serro de Porongos, hoje região de Pinheiro Machado (interior do Rio Grande do Sul), foi dizimada quase toda a infantaria negra, enterrando de vez a preocupação dos farrapos e acelerando assim a paz com o Império. A instrução de Caxias a um de seus comandados foi clara e objetiva: a batalha teria que ser conduzida de forma tal que poupar apenas e dentro do possível o sangue de brasileiros (e o negro era então tratado como africano, mesmo que já nascido no Brasil).

Alguns historiadores apologistas ou folcloristas de CTGs consideraram aquela traição como Surpresa, já que pela primeira vez que o então vigilante Davi Canabarro teria sido surpreendido pelo inimigo. Conversa fiada! Enquanto dispôs suas tropas negras de tal maneira que ficassem desarmadas e descobertas, algo que até então nunca havia feito, Canabarro se encontrava bem longe e seguro do local, nos braços de Papagaia, alcunha de uma amante sua.

Após o combate, um relato oficial avisou a Caxias que pelo menos 80% dos corpos caídos no campo de Porongos eram de homens negros. Calcula-se que, nos últimos anos daquela conflito, os farrapos ao todo somavam uns cinco mil homens, sendo que algo em torno de mil eram Lanceiros Negros. Após o Massacre de Porongos, porém, restaram apenas uns 120 deles, feridos, alguns mutilados, e que foram primeiramente enviados para uma prisão no centro do país e depois dispersados para outras províncias, ainda mantidos como cativos.

Feito isso, deu-se a chamada rendição e paz do Poncho Verde, onde senhores escravistas dos dois lados trocaram abraços e promessas de lealdade e, logo depois, marcharam juntos e sob a mesma bandeira imperial contra o Uruguai, Argentina e Paraguai.

Bibliografia

FACHEL, José Plínio Guimarães. Revolução Farroupilha. Pelotas: EGUFPEL, 2002.

FERREIRA, Hemerson. Da Revolta à Semana Farroupilha: entre tradição e a história. http://prod.midiaindependente.org/en/blue/2009/08/451359.shtml

FLORES, Moacyr & FLORES, Hilda Agnes. Rio Grande do Sul: aspectos da Revolução de 1893. Porto Alegre: Martins-Livreiro, 1993.

GOLIN, Tau. Bento Gonçalves, o herói ladrão. Santa Maria: LGR, 1983.

LEITMAN, Spencer. Raízes sócioeconómicas da Guerra dos Farrapos: um capítulo da história do Brasil no século XIX. Rio de Janeiro: Graal, 1979.

MAESTRI, Mário. "O negro escravizado e a Revolução Farroupilha". In: O escravo gaúcho: resistência e trabalho. Porto Alegre: UFRGS, 1993, pp76-82.

domingo, 1 de maio de 2011

O tradicionalismo guasca que esterca as cidades na primavera: a imaterialidade da coisa

TAU GOLIN
Jornalista e historiador

Algo assustador vem ocorrendo gradativamente no Rio Grande do Sul. Um movimento de pressão política e cultural está em vias de subverter completamente o princípio do patrimônio imaterial.

O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) deseja ser o elemento dessa aberração.

Por óbvio, se poderia considerar “patrimônio imaterial” manifestações culturais, mas não a “entidade” que as promove. Considerar o tradicionalismo, que é uma sociedade privada, organizada na sociedade civil, como “patrimônio imaterial” seria a mesma coisa que reconhecer o Grêmio ou o Internacional como únicas manifestações genuínas e autênticas do futebol. Certamente, se um clube sumir isso não afetará a existência do esporte.

O tradicionalismo é um movimento cívico-cultural organizado em rede, de forma associativa, e de caráter de massa, articulado pela indústria cultural e diversos interesses comerciais, políticos, etc., que, além de milhares de posturas sinceras, especulam com hábitos, costumes e elementos da tradição. Não existe imaterialidade no tradicionalismo. Duvidosamente, a imaterialidade poderia ser encontrada em algumas manifestações utilizadas pelo movimento, entretanto reinterpretadas, agregadas por sentidos contemporâneos, sem sustentação metodológica. Portanto, ainda assim, de forçosa “imaterialidade”. A seleção, a reinterpretação, a reorganização, e o novo sentido agregado, adequado aos interesses do movimento, retiram a sua “imaterialidade”. O motivo: não é mais autêntico; foi tradicionalizada.

Desde os anos 1940, o tradicionalismo vem privatizando uma série de manifestações culturais, hábitos e costumes rio-grandenses. Muitos existiam isolados em regiões remotas. Da tradição foram retirados e reelaborados em uma engrenagem de rede. Um eficiente marketing e práticas de adestramento comportamental encarregaram-se de “educar” os contingentes como se pertencessem a todos os grupos humanos. E o que é pior: como se o RS tivesse um único gentílico formatador gauchesco.

Praticamente todas as manifestações adotadas pelo tradicionalismo já existiam antes do seu aparecimento como entidade privada. Se o tradicionalismo, por sua vez, desaparecer, as realmente importantes continuarão existindo. Patrimônio imaterial é o mate (legado indígena), a culinária, determinadas músicas e danças regionais, etc., e não o tradicionalismo.

Com o sucesso de se transformar em “patrimônio imaterial”, o tradicionalismo chegou ao extremo de sua usurpação da riqueza cultural regional. Ele se converte em “único”, “legítimo” portador dos eventos da identidade. Ele passou a ser o próprio fenômeno. Parece evidente que esta nova expropriação não resiste à História e ao contrato republicano da sociedade contemporânea. A imanência tradicionalista o conduziu à crença de que ele é, em essência, a coisa...

Nessa lógica, a “cidadania” ainda será acusada de crime contra o patrimônio se realizar qualquer crítica a um tradicionalista (em essência, a coisa imaterial), protestar contra seus hábitos de estercar as cidades nos meses de setembro; espancar animais nos rodeios; ou o poder público ficará impossibilitado de realizar alguma reforma urbana porque em determinado lugar existe um galpão com uma placa tosca na fachada escrito CTG, cujas atividades são de duvidoso interesse público.

Passando à imaterialidade, só falta agora o tradicionalismo almejar ser o espírito do rio-grandense.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

CUBA ATUALIZA O SOCIALISMO

I Brigada Mundial contra o Terrorismo Midiático reúne 64 ativistas de 20 países, dos quais 11 riograndenses.

Stela Pastore

Brigada reúne delegações de 56 países Autor: Stela Pastore

Brigada reúne delegações de 56 países

A revolução é mudança permanente, disse o professor de história Javier Domingues, no encontro de abertura da I Brigada Mundial contra o Terrorismo Midiático que iniciou na quarta-feira (16), em Cuba. Domingues integra o Instituto Cubano de Amizade com os Povos - ICAP - entidade organizadora da atividade que reúne 64 ativistas de 20 países, dos quais 11 riograndenses. Argentina, Austrália, Alemanha, Correia do Sul, El Salvador, Espanha, Ucrânia, Turquia, França, Honduras, México, Peru, Tchecoslováquia, Suíça, Irã, Irlanda, Sri Lanka, Venezuela, e Canadá têm delegações.

“Disseminar a verdade sobre o que se passa em Cuba é o propósito desta atividade”, reforçou o professor. Integrante do ICAP há 38 anos, Domingues pontuou que Cuba vive um momento de transformação e é um país em dificuldades. “Estamos atualizando o Socialismo, como diz o presidente Raul Castro”, observou aos participantes.

O bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos desde 1962 causa problemas e prejuízos nas mais diferentes áreas. “O presidente Barak Obama não modificou a postura imperialista de destruir o exemplo revolucionário cubano para o mundo”, ressaltou o dirigente.


Delegação gaúcha

Delegação riograndense

Nos dois primeiros dias em Cuba, a delegação riograndense realizou visitas e contatos em Havana e outros municípios próximos. As impressões são unânimes e altamente positivas. As estradas estão em ótimas condições, a limpeza pública é excepcional, as casas são muito bem cuidadas e arrumadas interna e externamente, há máquinas realizando serviços públicos permanentemente, a frota de veículos, mesmo os antigos que existem em profusão, são muito bem conservados. A educação e a prestimosidade dos cubanos é notável. Há segurança e tranquilidade. Andar pelas ruas da capital cubana é uma experiência incomum - não há apelo comercial. O consumo não pauta o cotidiano.

Reportagem e texto: Stela Pastore

sábado, 20 de novembro de 2010

PORTOS E “REVITALIZAÇÕES DA ORLA”


A arquiteta Adriana Schönhofen Garcia, mestre em Engenharia, radicada em Miami, embora natural do Rio Grande do Sul, participou do 54º. Congresso Mundial de Arquitetura na PUC neste mês de novembro, promovido pela Federação Internacional de Habitação e Planejamento.

Foi depois convidada a uma palestra no Instituto dos Arquitetos do Brasil abordando o tema “revitalizações” em áreas portuárias desativadas, numa abordagem comparativa entre a proposta que vem sendo insistentemente apresentada pelo advogado Edmar Tutikian para o cais Mauá, e o cais de Miami River.

Logo de início, ficou patente que a arquiteta havia sido abastecida com informações falseadas sobre o cais Mauá, o projeto Tutikian, e a própria cidade de Porto Alegre, na atualidade.

Não surpreende a difusão e divulgação de notícias e informações incorretas ou incompletas por parte dos promotores da “revitalização”, pois esta tem sido a tática usual dos mega-projetos, em Porto Alegre, que interessam ao poder econômico e trazem prejuízo para a população, os bairros, o meio ambiente, e à própria noção de planejamento.

O que surpreendeu foi a falta de civilidade com uma visitante de prestígio internacional, visando levá-la a apoiar indiretamente o tal projeto. A arquiteta, porém, não é inexperiente, e logo se deu conta de que havia coisas subjacentes, de que não havia sido informada. Ou, certamente, não teria escolhido Miami como seu parâmetro comparativo.

Assim, enquanto a palestrante, já em sobreaviso contra armadilhas com objetivos políticos, discorria sobre o que poderia ser revitalizado em Porto Alegre, tratava também de colocar claramente as informações de que dispunha (errôneas) sobre uma espécie de morte do Centro, do cais, dos parques de Porto Alegre. Informações que deixaram de lado a questão dos moradores de rua, e as dezenas de prédios desocupados e em deterioração nesse bairro.

Além desse procedimento ser extremamente descortês com a palestrante, que não dispôs de quem a informasse devidamente sobre a polêmica existente, e as ilegalidades cometidas, – hoje subjudice na Justiça Federal, – perdeu-se uma grande oportunidade de discutir objetivamente o tema com uma pessoa tão experiente e conhecedora das contradições existentes entre a vontade do poder público e a cultura e vontade de uma população.

O FRACASSO DE SOLUÇÕES IMPOSTAS

Parece que, no mundo atual, ao invés de se perguntar às pessoas que cidade elas querem, do que sentem falta, do que gostariam e atenderia a suas necessidades, e do que as perturba, incomoda, e não desejam, – os governos neoliberais se caracterizam por impor suas criações e imaginações a todo um povo, pouco ligando para sua adequação. Em nada, pois, se diferenciam dos governos autoritários tradicionais, fardados ou não.

Na análise da arquiteta, – apesar do esforço dos gestores de Miami e suas parcerias público privadas, – não foi possível povoar e revitalizar de fato os ambientes “revitalizados”, porque as pessoas não os freqüentam.

Qualquer publicitário principiante sabe que, antes de lançar-se um produto novo, faz falta uma pesquisa de mercado. E que cada mercado tem características próprias e não se podem importar soluções.

O GT da Orla, coordenado pelo arq. Marcelo Allet, da Secretaria Municipal de Planejamento, não gosta de árvores nem da paisagem natural. Propõe amplos espaços sem sombras, com palmeiras desérticas e muito e muito concreto. Não aceita que as pessoas possam preferir um piquenique ou um bate-bola numa faixa livre de areia, ao invés de participar de um jogo formal numa quadra formal, possivelmente com taxa de arrendamento, e fila de espera.

Vêm daí, talvez, as propostas assombrosas para descaracterizar os parques Gasômetro e Marinha, e também a destruição promovida na Praça da Alfândega, acabando com suas árvores frondosas, que refrescavam o ambiente, para permitir uma visão sem entraves do portão do cais do porto, sob o sol senegalesco de Porto Alegre no verão.

No caso de Miami, o fracasso em impor autoritariamente uma visão única do que seria um espaço de lazer, isso fica claro. As pessoas, se não gostam dos ambientes, se se sentem tolhidas em sua espontaneidade, se os julgam caros e pouco acessíveis, se não se sentem felizes nem seguras neles, simplesmente não os freqüentam, por mais que as autoridades tentem dar-lhes um ar de espetáculo ou cenário teatral.

O artificialismo cansa.

Como exemplo, a cortina dágua proposta para o dique da Mauá, baseia-se numa pequena cortina que existe em Miami, e à qual os moradores da cidade não ligam o mínimo, conforme foto batida pela palestrante, onde aparece apenas uma pessoa, de passagem, sem olhar para a cortina. Não lhe perguntaram o que pensava dela, ao que parece.

REFORMULAÇÃO PAISAGÍSTICA

A questão das reformulações paisagísticas da cidade, pois, não é uma questão técnica, mas política, cultural e afetiva.

Havendo respeito à tradição cultural da população e a seus hábitos, havendo participação plena dessa população na tomada de decisões, não é um bicho-de-sete-cabeças realizá-las, de maneira tecnicamente correta, através de coleta de sugestões, e posteriormente, concurso público de projetos.

Foi o que sugerimos, em 2008, em relação à idéia do parque ecológico contínuo ao longo da orla do Guaíba (respeitando-se as situações consolidadas). Tendo por norte os objetivos discutidos abertamente e votados pela população, traçam-se as diretrizes que nortearão o projeto, o qual será concebido e executado por equipes multidisciplinares.

Se o objetivo, porém, for ganhar dinheiro a qualquer custo... bom, é inevitável que se busquem soluções requintadas, custosas e sofisticadas, com muitas obras e construções, muitas despesas que devem ser ressarcidas, alterações que considerem obsoletas a natureza e os hábitos tradicionais e espontâneos da população, ou "lembrança passadista", e fora de moda.

INTERMODALIDADE VERSUS RODOVIARISMO EXCLUSIVO

No caso do cais, o furo é mais embaixo. Quando o observamos, considerando também as irregularidades da licitação da RS-010, vemos que a proposta objetiva desativar por etapas todo o porto, do Mauá ao Navegantes, para consolidar o exclusivismo rodoviário e o pagamento de pedágios, mostrando-se os gestores indiferentes ao irracionalismo do transporte único, e ao efeito inflacionário dessa política, que encarece fretes e mercadorias.

Começa-se por impedir a reativação portuária do cais Mauá (muito bem situado para o transporte aquaviário de passageiros, por exemplo, mesmo em navios de longo curso), e avança-se nos cais seguintes, que têm menor capacidade de tonelagem, e dispõem de sistemas operacionais extremamente poluentes, por permitirem o embarque e desembarque de granéis.

Navegantes não é um bairro fantasma, o qual não importa poluir. Aliás, mesmo que o porto se instalasse em área erma, a qualquer altura da orla, com o embarque/desembarque mal resolvidos, – os produtos contaminantes serão absorvidos pelos pontos de captação da água, e serão absorvidos pelas canalizações, além de se infiltrarem pelos terrenos e os lençóis freáticos.

NATUREZA OU NATUREZA MAQUIADA

Quanto à mania pós-pós moderna de querer enfeitar a natureza, com produtos pastichados em concreto, equivale a botar maquiagem numa vaca ou num pássaro... resultado redundante e ridículo, e absolutamente não-funcional.

Onde se formaliza um parque a la Versailles, começam as proibições e as regras repressoras. E o que era lazer livre transforma-se na obrigação cultural de apreciar os projetados edifícios de 100 metros junto à rodovia Castelo Branco e à Estação Rodoviária, o gigantesco parque de estacionamento adjacente e os engarrafamentos daí decorrentes; ou os estacionamentos sobre palafitas dentro do rio, como quer o GT da Orla; mais a obrigação de ostentar status, não andando a pé nem de ônibus para chegar aos locais de lazer, muito menos comer cachorro-quente de barraquinha – porque isso não é suficientemente chique, como nos ficou subentendido durante a exposição do projeto da orla faz algumas semanas, na RP1.

Banheiros, limpeza, cuidados de jardinagem com a vegetação, segurança, acessibilidade... significando isso, a desnecessidade de atravessar vias de alta velocidade para deslocar-se nos locais de lazer e recreação, são os itens a atender no caso da orla, acrescidos de vestiários e chuveiros nos pontos em que a balneabilidade for possível . E menos estacionamentos, por favor. Não há rio, paisagem, nem pôr do sol, nem cais romântico, que resista a um estacionamento de automóveis. Poderia, ao invés, haver um transporte seletivo circular, que fizesse a recorrida entre as terminais de ônibus e os principais parques centrais.

Também fazemos reparo em que os locais de lazer são preferentemente ocupados em horários de lazer. Locais de lazer muito ocupados em dias úteis e horário comercial é um indicativo alarmante de desemprego e subocupação, e deveria preocupar ao invés de alegrar.

Quanto ao turismo sem finalidade comercial, convencional, cultural, ou ecológica, não esqueçamos que, na atualidade, ele está intimamente ligado à indústria orgiástica (droga, jogo, prostituição) e seus ingressos financeiros são descompensados pela degradação social e cultural das comunidades.

FIHP

Com relação à Federação Internacional de Habitação e Planejamento, promotora do congresso antes referido, e sediada em Haia, Holanda, ela se dedica a promover congressos, conferências, viagens de estudos e cursos. Oferece documentação sobre lançamentos e novidades em relação à habitação e à organização urbana, cursos de férias gratuitos e abertos a estudantes de todo o mundo, com foco no desenvolvimento sustentável. Não se sabe, porém, quem são seus patrocinadores.

Atualmente, é seu presidente o arquiteto espanhol Francesc Ventura i Teixidor, também membro das comissões de Planejamento de Barcelona, Girana Lleida e Tarragona, e presidente do Conselho da Comissão Executiva e Diretor Geralda Autoridade de transporte Metropolitano de Barcelona.

É interessante destacar que justamente um empresário de Barcelona é/era o grande parceiro dos portais do Clóvis Magalhães, para quem lembra a reunião havida com o secretário em 2008. O empresariado de Barcelona era secundado por uma uma ONG internacional de projetos formada por Shell e Catterpillar.

Tania Jamardo Faillace

delegada Forum Regional de Planejamento 1

domingo, 17 de outubro de 2010

O caluniador, figura da barbárie



Vocês lembram há quanto tempo eu venho alertando contra a guinada para a direita explícita e o risco de golpe?

E por que isso agora? Por que, quando os liberais bem comportados já se asseguraram um lugar na pessoa de Temmer e de muitos dos ministros que desfiguraram vezes sem conta o governo de Lula, que não pôde avançar além de suas modestas propostas de uma certa assistência social, sem tocar em reivindicações básicas e seculares, como a Reforma Agrária e a Urbana, a Participação nos Lucros e na Gestão das Empresas, e o controle estrito da Remessa de Lucros, propostas defendidas institucionalmente antes de 1964, e que seriam demasiado ofensivas para a burguesia brasileira e os terratenentes?

Olhem, eu vou dar uma esfregadinha na minha bola de cristal e arriscar a dizer o que estou percebendo entre brumas: não conseguiram dobrar o Lula como desejavam (e ainda menos dobrarão a Dilma, que é dura de obstinada, como eu sei), então tudo é válido para assustar, intimidar, conspurcar, ameaçar, não há limites para a canalha arruaceira das gangues fascistas a serviço da direita oficial.

Serra nunca foi o candidato. Tanto assim que lhe impingiram o tal Índio, de triste figura. O candidato era mesmo a candidata de Lula, devidamente secundada por uma raposinha peemedebista, DESDE QUE SE COMPORTASSE BEM e possivelmente assumisse alguns outros compromissos fora das luzes do palco.

E aí, alguma coisa deu errado, isto é, Mr. X, que confiava conduzir a seu gosto e discretamente a continuidade governamental, e levar o Brasil a defender seus interesses, como aconteceu durante os anos da Operação Condor - de repente perdeu essa segurança. Ou o mandaram plantar batatas abertamente, ou ele percebeu que não tinha a todos sob seu cabresto, como esperava.

A partir de então, o pobre Serra ao qual Mr. X não dava a menor bola , passou a lhe servir, porque é dócil e não reclama quando o mandam fazer de palhaço (o santinho político-religioso está demais, nem Casseta e Planeta pensaria numa gag dessas). Mr. X sentiu-se feito de bobo, que lhe atiraram areia nos olhos, e que apoiava estrategicamente a quem, na verdade, poderia vir a ser seu adversário em termos de continente, e fechar alianças, para ele escandalosas, com o "bolivarianismo", o "nacionalismo", a independência regional.

Não há fúria maior neste mundo... etc., etc.

Na minha bolinha de cristal, eu avanço ainda mais... Dilma ganhando e agregando outros compromissos até agora deixados de lado - com a agenda ambiental, por exemplo, e com a justiça agrária - é coisa encarada como um desafio por Mr. X (nosso Grande Irmão do Norte) e seus aliados. Há grande possibilidade, pois, de vermos surgir uma turbamalta de agitadores e subversivos da linha nazista e tefepista (os mais eficientes sapadores do mundo, lembrem, são ligados aos órgãos de segurança dos EUA e seus cupinchas, formados na Escola das Américas).

Mas não se iludam de que estes agitadors se opositores serão arcanjos da pureza celestial - todos os grupos de extrema direita do mundo através da história, estão íntimamente ligados com todas as forças da corrupção e da indústria orgiástica que conhecemos ou ainda não, e que recompensa suas tropelias (lembrem os antecedentes da Noite dos Punhais na Alemanha nazista, e as orgias sádicas de qualquer porão de ditadura de direita, e as tentativas de baixar a idade da responsabilidade criminal para descriminalizar a prostituição de menores e facilitar o uso de drogas por crianças - 150 mil doentes mentais vítimas do crack, só no RS, sem leitos e sem tratamento e ainda há os engraçadinhos que se arvoram em defensores da "liberdade" de drogar-se e comerciar com drogas e sexo).

Calúnia, violência, vício, delírio, desmonte da solidariedade social e familiar, crime organizado e política de guerra permanente, andam juntos. Está na hora de encarar no olho o que quer dizer Imperialismo pós-moderno. E preparar-se para uma luta que não será fácil, a fim de recuperar os valores humanistas e chegar à democracia real. Que não se presta para ser slogan de marqueteiros mercantilistas, mas será conquista histórica de gerações.

Tania Jamardo Faillace
jornalista e escritora de Porto Alegre, RS - Brasil

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Campanha de apoio ao Jornal JÁ – Pelo direito à informação.

Informativo JÁ na sua versão online:

http://issuu.com/ctiburski/docs/ja-25anos?mode=embed&layout=http://skin.issuu.com/v/light/layout.xml&showFlipBtn=true

Campanha de apoio ao Jornal JÁ – Pelo direito à informação.


Há um mês foi criado o Movimento Resistência JÁ – formado por cerca de 50 jornalistas e cartunistas, com a finalidade de dar visibilidade à crise que ameaça o Jornal JÁ, promover ações que garantam a sua sustentabilidade e, ao mesmo tempo, discutir o direito da cidadania à informação.

A crise do JÁ se agravou recentemente, quando, depois de intervir financeiramente no jornal, uma decisão judicial bloqueou os bens pessoais de seus diretores. As medidas judiciais visam a garantir o pagamento de indenização por dano moral à família do ex-governador Germano Rigotto, pela repercussão de matéria publicada em 2001. O jornal foi absolvido no processo crime por injúria, mas condenado num segundo processo por dano moral. A ação foi movida pela mãe do ex-governador, Julieta Rigotto.

O Movimento protesta contra a pressão financeira que sufoca o jornal, mas quer discutir principalmente o direito da população a ser informada por diferentes fontes de informação, numa pluralidade democrática. “O sentido é chamar a atenção para a situação do JÁ, que não é única”, afirma Elmar Bones, diretor do jornal. Sua tese é que existe um déficit de informação sobre o que realmente acontece.

Há, também, um ambiente hostil a pequenos projetos, como o do JÁ. Os jornais de bairro crescem em todos os lugares, não em Porto Alegre. Dos quase 50 existentes, atualmente, são menos que 20. As verbas publicitárias são concentradas nas grandes corporações e não há espaço para os pequenos projetos.

Para tanto, além de defendemos a existência de políticas públicas capazes de incentivar os pequenos projetos, buscamos como alternativa uma campanha pública para garantir a sobrevivência do Jornal JÁ e a continuidade de uma informação comprometida com a formação da cidadania.

Neste sentido encaminhamos nossa proposta de assinatura ao JÁ, ressaltando que o pagamento será feito, via doc, somente após o assinante receber a primeira edição do jornal. Basta preencher os dados em anexo e retornar para esse e-mail ou diretamente para jaeditores@gmail.com.

Movimento Resistência JÁ

ASSINATURA

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( ) Opção 1 - 10 edições: R$50,00

( ) Opção 2 - 20 edições: R$100,00